quinta-feira, 30 de abril de 2026

Cansada, eu?

Por Vanessa Sene Cardoso

Fazemos parte da sociedade do cansaço. Quantas vezes por dia ou por semana, você ouve: Estou cansado. Que canseira! Aff! Uff! Garanto que vão faltar dedos para enumerar, pois essas expressões fazem parte do nosso repertório. Ou não?

E o que tem nos deixado nessa condição? Os motivos são muitos, mas arrisco a dizer que a vida corrida, a necessidade de estar o tempo todo conectado, o bombardeio de informações, a dificuldade de organização da rotina, a relutância em dizer não, a insegurança em estabelecer prioridades.

Hoje há profissionais que ajudam pessoas a lidarem com as demandas da vida moderna. As muitas orientações e soluções apresentadas para o cansaço físico, emocional, mental ajudam, mas não solucionam, não são a palavra final. A minha intenção não é esgotar o assunto ou trazer uma resposta, mas sim provocar a reflexão.

“Venham a mim todos vocês que estão cansados e sobrecarregados, e eu lhes darei descanso. Tomem sobre vocês o meu jugo. Deixem que eu lhes ensine, pois sou manso e humilde de coração, e encontrarão descanso para a alma. Meu jugo é fácil de carregar, e o fardo que lhes dou é leve”. (Mateus 11.28-30 – NVT)



terça-feira, 24 de março de 2026

Quando eu for mais velha

 



Por Vanessa Sene Cardoso 

Quando eu era criança olhava a vida adulta como algo muito distante da minha realidade. Não entendia como meus pais, avós, tios e tias, enfim, os adultos da minha convivência, conseguiam resolver tantas coisas e se virar sozinhos. A palavra autonomia era algo muito fora do meu alcance. Era tão bom saber que alguém era responsável por mim. Podia me dedicar aos estudos, às brincadeiras, ao mundo imaginário e outras atividades compatíveis com aquela fase da vida. Para mim, confiança e segurança eram conceitos concretos. Sim, tinha minhas responsabilidades. Afinal, isso é importante para o desenvolvimento de uma criança. No entanto, minha infância foi leve, muito saudável e divertida.

Os adultos tinham suas particularidades que eu pensava que não teria quando chegasse na idade deles, pois não tinha noção de como seria o futuro. Dificilmente um adulto fazia uma traquinagem ou ria à toa. O semblante sério do dia a dia refletia as tantas demandas com as quais tinham que lidar. Era comum, nos momentos de conversas descontraídas, ouvir: “No meu tempo...” Essa expressão era carregada de saudosismo. Parecia que a parte boa da vida ficava no passado, na memória. Embora eu gostasse de ouvir as histórias dos adultos e idosos, pensava que nunca falaria isso, porque todo o tempo seria “o meu tempo”.

O tempo passou e hoje, muitas vezes, me pego falando: “No meu tempo...” Confesso que não me lembro quando essa expressão passou a fazer parte do meu vocabulário recorrente. Será que em algum momento a gente entra no modo automático e deixa de viver no presente? Por que isso acontece? Demandas do dia a dia, preocupações, distanciamento das novas gerações. Não sei a resposta, mas tenho refletido sobre o assunto. O bom é ter a percepção disso, pois é o primeiro passo para buscar o equilíbrio entre passado e presente, para que o futuro seja um presente melhor.

Algo que me ocorre neste momento é que posso falar “no meu tempo”, porque tenho uma trajetória, uma história de vida, isso é enriquecedor e faz parte da construção de quem sou hoje. O que não é saudável é, nos momentos de vulnerabilidade, usar o passado como esconderijo e instrumento de fuga.

Gosto de resgatar lembranças da infância, adolescência e juventude, inclusive para compartilhar com os mais novos, mas tenho percebido, a cada dia, que é essencial ouvir e aprender com as novas gerações. 

Encerro este texto com uma lição que aprendi com meu sobrinho quando ele tinha oito anos. Estava preocupada, e conversando com ele, disse:

— Nós, adultos, vamos deixando de lado a prática de brincar. Somos sérios a maior parte do tempo.
— Tia Vanessa, se um adulto chega em casa e começa a brincar com os filhos, esquece um pouco dos problemas e, quando vê, Deus já resolveu tudo.

 Chorei e reconheci:

— Você tem razão.

Meu sobrinho hoje está com dezenove anos e eu nunca esqueci daquela lição. Sigo aprendendo.

sábado, 28 de fevereiro de 2026

Mudando de assunto

Por Vanessa Sene Cardoso

Publico um artigo por mês no meu blog – geralmente no último dia do mês. Para encerrar fevereiro, havia escolhido o tema “Quando eu ficar velha”. A ideia era falar sobre como enxergamos nosso futuro partindo do nosso olhar na infância, depois na adolescência e o que nos tornamos na vida adulta. Escrevi dois parágrafos e o texto estava ficando bem legal, mas uma situação imprevista me fez mudar de assunto.

O texto estava salvo em um pen drive e eu iria transferir o arquivo para o computador para terminar de escrever. Quando fui iniciar essa operação, quem diz que o dispositivo abria? Ainda não sei o que aconteceu, mas fiquei muito chateada, pois perdi o acesso ao meu texto. E agora? Começar do zero? Decidi mudar de assunto. E deixar o tema escolhido para março.

Você pode estar pensando: Aonde ela quer chegar? Que assunto novo é esse? A ideia é refletir como ficamos dependentes da tecnologia. Ela interfere em nossa vida desde situações corriqueiras até circunstâncias mais complexas.

Imagine ficar sem energia, sem conexão. Você já deve ter passado por isso. Quanto prejuízo no trabalho, na comunicação! Mas como fazíamos antes da existência da internet, do mundo digital e das ferramentas tecnológicas? Muitas vezes nos deparamos sem saber que solução tomar. No meu caso, precisei escrever outro texto e para isso exercitei a paciência, a criatividade e fui levada a lidar com a frustração.

Ainda estou meio inconformada em ter perdido – pelo menos por enquanto – o meu texto original, mas acredito que encontrei uma boa saída para a situação e consegui administrar o estresse.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

Paciência


Por
Vanessa Sene Cardoso

Ao se deparar com a palavra “paciência”, o que isso provoca em você? Ela pode ter alguns sentidos de acordo com o repertório de vida, o momento em que se está vivendo, a personalidade de cada um. E aqui não estou me referindo ao significado da palavra, à sua etimologia, e sim ao conceito, ideia.

Paciência pode simbolizar:  

– Espere mais um pouco.
– Já era; está feito.
– Vamos caminhar mais uma milha.
– Perseverar até alcançar um objetivo.
– Vai demorar!

Viu só o que uma simples palavra pode evocar? Talvez você tenha outros significados para acrescentar à lista acima. No nosso dia a dia, a paciência é um atributo essencial para que a gente consiga enfrentar as adversidades, fortalecer relacionamentos, desenvolver habilidade social, cuidar das emoções.

A paciência faz parte do fruto do Espírito, conforme Gálatas: Entretanto, o fruto do Espírito é amor, alegria, paz, paciência, amabilidade, bondade, fidelidade (NVI). Se somos filhos de Deus, temos o Espírito Santo em nós e ele desenvolve o seu fruto em nossa vida. Portanto, a paciência é algo que foi implantado em nosso coração. Lembro-me de ouvir que quando oramos pedindo paciência, passamos por situações que exigem a prática dela. E é assim que crescemos.

Não é fácil exercitar a paciência. No entanto, é possível. E isso é o que basta. Que possamos fazer a escolha certa.

Meus irmãos, considerem motivo de grande alegria sempre que passarem por qualquer tipo de provação, pois sabem que, quando sua fé é provada, a perseverança tem a oportunidade de crescer. E é necessário que ela cresça, pois quando estiver plenamente desenvolvida vocês serão maduros e completos, sem que nada lhes falte (Tiago 1.2-4 – NVT).