sexta-feira, 23 de outubro de 2026

Onde anda a lucidez?

Por Vanessa Sene Cardoso

O mês de outubro foi marcado pela guerra de narrativas que alimentaram a explosiva campanha eleitoral para a Presidência da República. Por menor interesse por política partidária que uma pessoa possa ter, ela não passou incólume aos algoritmos das redes socias. Foi um bombardeio de informações. A impressão é a de que quanto mais radical o conteúdo, mais disseminado ele é no ambiente digital.

Propostas mesmo, nem sinal. O destaque foi para a munição que cada lado da guerrilha disparou ao longo desse período. Como discernir a verdade em meio a um mar de fake news? Há quem diga: procure fontes confiáveis. Mas onde elas estão? Sendo que boa parte da imprensa tem bandeira. Cada fato é reproduzido em diferentes versões, dependendo do narrador. O eleitor indeciso fica no meio do fogo cruzado, como cego em tiroteio. Porque nessa confusão toda fica difícil enxergar a realidade.

O bom senso já saiu de cena há muito tempo. E a lucidez, onde anda? Será que a Inteligência Artificial tem a resposta? Para muitos influenciadores digitais, isso tudo é sinônimo de lucro, pois as narrativas travestidas de verdade, e apresentadas por quem tem o poder da oratória, rendem muitos vinténs.

O mais assustador é que as pessoas replicam conteúdos sem se dar conta de que estão se tornando soldados arregimentados dispostos a defender um comandante de maneira cega e alienada. E aqui me refiro aos dois lados da mesma moeda. A reflexão não é sobre escolher um lado ou outro, porque essa decisão é legítima. O que espanta é a falta de racionalidade. A paixão tem roubado a cena. Basta passear pelas redes sociais, conferir as mensagens nos grupos de WhatsApp para constatar essa triste realidade.

Está difícil. Ainda faltam dois dias para o desfecho desse pleito. Que Deus nos ilumine em meio à escuridão dessa guerra de narrativas. Que vença o Brasil!

Nenhum comentário:

Postar um comentário