Por Vanessa Sene Cardoso
“É uma menina!” A partir daí, já começam os preparativos, os planos,
sonhos e expectativas para a nova integrante do mundo feminino. Quem já recebeu
essa notícia ao deixar a sala de ultrassonografia, ou após o parto, sabe do que
estou falando.
Cada gênero tem suas peculiaridades e, por mais que os tempos atuais
proponham uma série de conceitos sobre o tema, ainda prevalecem as
características inerentes aos universos feminino e masculino. As novas
roupagens e artifícios não são capazes de transformar a essência. Fato!
Criança é criança. Na infância, meninos e meninas querem brincar, se
divertir, exercitar a imaginação. Necessitam, basicamente, de um teto,
alimento, roupas, proteção, segurança, cuidado, presença, exemplo, enfim, amor.
Nessa fase, exceto pelas características fisiológicas, as semelhanças
predominam sobre as diferenças.
Quando chega a puberdade, a coisa muda de figura. Os hormônios têm
protagonismo nessa fase da vida, pois eles dão o tom para ressaltar as
diferenças entre os gêneros, tanto física quanto emocionalmente. O assunto desta
reflexão são as mulheres, por isso, nos despedimos dos homens por aqui.
Agora é só entre nós, meninas!
Me conta uma coisa: Você já teve a menarca? O QUÊ? Esse evento é um
marco na vida de toda mulher, pois é o prenúncio de uma nova fase. É a
transição da infância para a vida adulta. Não se preocupe! Você não vai dormir menina
e, após a primeira menstruação, acordar mulher. É um processo! Quem já está
nessa caminhada há algumas primaveras pode testemunhar as mudanças no corpo, e
também as alterações de humor. Para as calouras, trata-se da famosa TPM (Tensão
pré-menstrual). Quando ela chega, dá vontade de chorar até mesmo sem motivo.
Outro efeito é a irritação que faz com que um simples “Bom-dia” seja o estopim
para a terceira guerra mundial. Ah! O exagero também é típico da adolescência.
E tem mulher que passa incólume por tudo isso. Cá entre nós, acho que a
minoria.
Escrevi o parágrafo anterior pensando nas pré-adolescentes, como você
percebeu. No entanto, conforme o dito popular, “recordar é viver”. Durante,
pelo menos, quatro décadas, navegamos no mesmo mar, algumas vezes sem ondas, na
maré mansa; outras, com maremotos.
Agora, quero falar de outra fase da vida que, para algumas de nós, é um
“calcanhar de Aquiles”, ainda que temporário. Aqui, novamente, os hormônios
roubam a cena. A natureza tem seus mistérios. Como algo que nem enxergamos
consegue desestabilizar nosso organismo?! Aguenta firme! Porque, passada essa
fase, tudo se ajeita e adapta-se à sua nova condição. É hora de uma pausa,
menopausa, mudança de ritmo. Fique atenta para não perder o compasso.
A maturidade chega com a sua bagagem: equilíbrio emocional,
contentamento, autoconhecimento, desconfortos novos... Enfim, a vida é cheia de
perdas, ganhos, desafios e muito aprendizado. Vale muito a pena! Ainda mais se
tivermos intimidade com o Espírito Santo: Tu me mostras o caminho que leva à
vida. A tua presença me enche de alegria e me traz felicidade para sempre
(Salmos 16.11 – NTLH).
Sugiro um exercício: pare um pouco, pense na fase da vida em que você
se encontra, desabafe em uma folha em branco ou bloco de notas digital. Não
importa se você não é íntima das letras: ESCREVA. Isso ajuda a gente a se
perceber. Vai por mim! Depois me conta como foi a experiência.
Dedico esse texto a todas as mulheres, em especial a uma mocinha que
está completando mais um ano hoje. Parabéns, Ana Luisa! Que você aproveite, ao
máximo, cada fase da sua vida e continue escrevendo uma linda história que seja
inspiração para outras mulheres.