Por Vanessa Sene Cardoso
Tenho
ótimas lembranças da minha infância e grande parte delas está relacionada com a
família, não só o núcleo – pai, mãe, irmãos – mas avós, tios, tias, primos,
primas. Hoje quero falar de tias e tios. Vamos lá! Imagine as cenas a seguir.
A garotinha, que não tinha mais do que cinco
anos, olhava fascinada, sem piscar, a tia se arrumar para sair. Depois de
finalizar a maquiagem, ela agachava e coloria a boca da sobrinha com brilho
labial. A menininha achava o máximo! O gostinho de morango ainda permanece na
memória mais de quarenta anos depois.
Pular elástico era a brincadeira do momento.
A sobrinha foi ensinar a técnica ao tio. Resultado: uma cicatriz na testa dele
que anos mais tarde, com a sobrinha já adulta, exibia cheio de orgulho. Motivo
de boas recordações.
O telefone tocava e, do outro lado da linha,
a voz firme da tia que sempre queria saber como iam os estudos da sobrinha. Era
aquela que vibrava, embora de maneira contida, porém interessada, com
as conquistas acadêmicas.
Ah! E aquela viagem de trem que foi uma
aventura na companhia dos primos, todos adolescentes, quem proporcionou?! A
tia, que sempre tinha uma pitada de humor, fazendo daquela excursão um momento
inesquecível.
Aos 20 anos, junto com a prima também jovem,
foi conhecer uma praia em outro estado do país. Sol, mar, passeios incríveis,
com direito a muita diversão e boas risadas. Quem levou as sobrinhas? A tia.
O tio, que morava distante, toda vez que
vinha visitar a família trazia presentes para os sobrinhos. Como não podia ser
diferente, os olhinhos da sobrinha, que ainda era muito pequena, brilhavam
diante do carinho e dos mimos do tio.
Todo sábado o tio lavava o fusca azul. A
sobrinha ao ver essa cena sabia que era prenúncio de passeio.
A tia, escritora de peças teatrais e
excelente comunicadora, compartilhava os textos com a sobrinha. Uau! Quanta
admiração! Com certeza, serviu de referência na jornada profissional da garota.
Essas são apenas algumas lembranças, uma pequena amostra da importância dos tios e tias na vida de uma sobrinha. Há muito mais para contar. Com certeza, fui agraciada!
A bolinha
de queijo saborosa, as dicas domésticas, os presentes, as conversas
enriquecedoras, as confidências, as risadas, as brincadeiras, o silêncio significativo, o abraço, o consolo,
as orações, as advertências, as recordações, a presença, o amor... Essas joias
formam o tesouro, cujo valor não é possível mensurar. Sendo adulta ainda
desfruto da bênção de ser sobrinha.
Minhas tias
são referências na minha vida. Com elas aprendi que é um privilégio e, ao mesmo
tempo, uma responsabilidade exercer esse papel na família. Desejo e busco de
todo o coração ser bênção na vida de meu sobrinho e minhas sobrinhas. Eles são
presentes que recebi de Deus. Sou muito grata por tê-los em minha vida.
Amo ser
tia!
21 de setembro: dia do tio e da tia.