sexta-feira, 28 de abril de 2023

Naftalina

 
Por Vanessa Sene Cardoso

Você já ouviu falar em Naftalina? É um repelente usado normalmente em armários e guarda-roupas para afastar traças e outros insetos, protegendo roupas, livros e demais objetos. Era bastante utilizada antigamente. Conheço muitas pessoas que não gostam do cheiro, que realmente é forte. Há quem associe com odor de barata. Em mim, o aroma dessa pastilha branca desperta boas lembranças da infância. É que minha tia usava Naftalina nos armários e a casa dela era muito limpa e cheirosa. Gostava e ainda gosto muito de ir lá. Acabei associando o cheirinho característico com a sensação de aconchego. Ah! A palavra naftalina também é usada para simbolizar coisa velha, antiga.

Neste artigo quero refletir sobre a chamada memória afetiva. Os nossos sentidos – tato, olfato, visão, audição, paladar – são ferramentas que nos ajudam a preservar nossa história, nossa identidade, nossas referências de vida. Tornam vivas as recordações e a conexão com o passado.

O sabor de determinado alimento; o perfume das flores e plantas; o barulho da chuva; a textura de uma roupa; a cor do fim de tarde e outras sensações dizem algo para nós ou sobre nós. De que forma os sentidos conectam você com a sua história? É claro que nem sempre as lembranças são agradáveis, mas elas existem e deixam sua impressão em nossa realidade. Podemos ser instrumentos para criar as memórias afetivas para aqueles que nos cercam. Deus nos deu capacidade criativa. Já pensou nisso? Essa também é uma forma de comunicação.

Quando a gente já viveu algumas décadas é impossível não sentir “o cheiro de Naftalina”, afinal, temos uma história e somos o produto dela. No entanto, não é saudável alimentar nosso reservatório emocional apenas com lembranças e saudosismo, pois o único tempo que existe é o presente. As recordações podem ser um excelente fator de estímulo, depende de como lidamos com elas.

Quero trazer à memória o que me pode dar esperança (Lamentações 3.21).


Registrando memórias

 Ao escrever um texto ou contar uma história podemos usar recursos da linguagem para despertar as sensações e a memória afetiva. Ao descrever uma cena, os detalhes fazem a diferença para dar vida ao fato. São eles que ajudam na construção da imagem mental. Há muita riqueza no nosso vocabulário. Lembro-me do livro O cortiço, de Aluísio de Azevedo, cujo estilo de escrita me fazia sentir o cheiro do ambiente onde se passava a história.

Defendo a ideia de arquivar nossas memórias. Podemos fazer isso por meio de objetos, fotografias, diários, vídeos, ou qualquer outra forma. Isso diz muito a nosso respeito, sobre nossa origem, cultura, família. É uma herança que deixaremos para as próximas gerações.

Gosto de contar histórias e trabalho com isso. Quer registrar a sua história ou de alguém da sua família? Entre em contato. Vamos conversar sobre o seu projeto.



 

quarta-feira, 15 de março de 2023

Ouvir é essencial


Por 
Vanessa Sene Cardoso

“Temos dois ouvidos e uma boca”, esse é um dito popular muito conhecido e que ressalta a importância de ouvir mais e falar menos. O discernimento vai nos ajudar a equilibrar o diálogo de acordo com a circunstância.

Hoje vivemos na era da instantaneidade. A comunicação é imediata. Não podemos perder tempo. E nessa roda viva, ouvir acaba não sendo prioridade. Falta paciência! Você escuta o seu cliente? Quem sabe uma conversa mais prolongada pode ser o diferencial no seu serviço.

No ofício de escritora, ouvir é fundamental. As perguntas são apenas chaves que usamos para abrir as portas e ter acesso ao conteúdo, matéria-prima para a história que vamos registrar. Falar fica em segundo plano.

Tenho aprendido muito ao longo desses anos ouvindo e reproduzindo histórias de pessoas, e também histórias reais e fictícias que servem de inspiração e referência para a produção de crônicas e outros textos.

Escrevi três biografias e muitas reportagens, crônicas e, em todas elas, exercitei a “escuta”, primeiramente ao vivo, durante as entrevistas; num segundo momento ouvindo as gravações. Quanto mais ouvimos, mais intimidade conquistamos com o conteúdo a ser transformado em palavras escritas. Quanto mais ouvimos, mais captamos as entrelinhas, a respiração, as pausas, a emoção, a mensagem não verbal. Isso faz toda a diferença na construção do texto.

O escritor assume o papel do personagem e isso dá vida à história. Certa vez, recebi o seguinte comentário de um leitor sobre uma das biografias que escrevi: “em alguns trechos até imaginei que você estivesse transcrevendo palavras dele mesmo”. Fiquei muito feliz com essa mensagem, pois penso que alcancei o objetivo de transmitir vida por meio das palavras.

Independentemente da nossa profissão, do nosso trabalho, ouvir é essencial nas relações humanas. Vale o conselho: Estejam todos prontos para ouvir, mas não se apressem em falar (Tiago 1.19a – NVT).


quinta-feira, 16 de fevereiro de 2023

Quando a exceção é a regra


Por Vanessa Sene Cardoso

“Vivemos num mundo de exceções”. Você já ouviu essa afirmação? Vamos iniciar este texto abordando a necessidade das regras. Elas existem para organizar as instituições, para resguardar direitos e deveres, para o bom convívio em sociedade, para moderar as relações humanas. São apenas algumas finalidades, mas já servem para dar corpo à nossa reflexão.

O código de trânsito é um exemplo. Se não existisse, com certeza, haveria mais acidentes do que já existem hoje. E eles normalmente acontecem quando alguma regra é infringida. Mas há quem compre a exceção por meio de atos de corrupção, buscando se livrar da punição, oferecendo algo aos agentes fiscalizadores.

Assim como temos o direito de nos reunir, ouvir música, realizar eventos; temos o dever de respeitar o repouso do nosso vizinho. Em condomínios, por exemplo, depois das 22h não se pode fazer barulho. Mas se está tão divertido, porque não podemos estender a festança?! Para quem não tem consciência sobre o direito do outro, vale advertência e multa. Como dizem: é só mexer no bolso, que essa linguagem todo mundo entende.

Por que queremos fazer parte da exceção? Você já pensou nisso? Simples! Sejamos honestos: porque pensamos mais em nós mesmos do que nos outros. A gente tem muitos argumentos para justificar o desejo de ser exceção. É difícil admitir que não queremos viver sob o limite das regras. As exceções existem sim, há casos e casos. O problema é quando fazemos dela a regra.

Não façam nada por interesse pessoal ou vaidade, mas por humildade, cada um considerando os outros superiores a si mesmo, não tendo em vista somente os seus próprios interesses, mas também os dos outros (Filipenses 2.3-4). Essa orientação do apóstolo Paulo aponta para o nosso modelo de conduta: JESUS.


 

sábado, 28 de janeiro de 2023

Orvalho


Por 
Vanessa Sene Cardoso

Ao ler a palavra orvalho que sensação desperta em você? Para mim simboliza frescor. No dicionário Priberam, as definições são: “Conjunto de gotas de umidade que, por condensação, se depositam durante a noite em qualquer superfície plana; gotas miúdas e espaçadas de chuva; bálsamo, consolação, influxo benéfico”.

Estamos no início de 2023, temos mais de trezentos dias pela frente em que viveremos nossa história. O que você espera? Teremos dias de alegria e de adversidade. Isso é fato. Mas como enfrentaremos cada momento? A nossa atitude e o nosso posicionamento é que farão diferença. A presença de Jesus é como o orvalho, nos ajuda a ter serenidade e paz em todas as circunstâncias. Esse é o segredo.

Não é fácil, porém é possível viver com leveza e suavidade. Que o meu ensino seja como a chuva que cai mansamente sobre a terra; que as minhas palavras sejam como o orvalho que se espalha sobre as plantas (Deuteronômio 32.2 – NTLH). #ficaadica

Que neste novo ano você experimente o orvalho da presença de Deus.

sábado, 31 de dezembro de 2022

A verdade nos faz livres

 


Por 
Vanessa Sene Cardoso

Você já mentiu alguma vez? Costuma mentir de vez em quando? A mentira faz parte da sua vida? Como você se sente ao mentir ou ocultar algo? Se alguém disser que nunca mentiu, acabou de praticar a mentira. Ninguém escapa. Portanto, cada um de vocês deve abandonar a mentira e falar a verdade ao seu próximo (Efésios 4.25 – NVI).

A mentira é como uma corda que aprisiona. Quem costuma mentir, seja em situações corriqueiras ou em circunstâncias mais sérias, precisa sempre criar outra história para reforçar a que inventou anteriormente. E assim vai ficando cada vez mais enrolado. O destinatário da mentira é prejudicado; mas quem mente, além de ficar prisioneiro, acaba sendo transportado para um mundo imaginário, deixa de experimentar a vida real, com suas alegrias e tristezas, para viver em um mundo de fantasia.

Quem mente geralmente quer esconder algo constrangedor, evitar uma situação desconfortável, quer impressionar – pois não possui autoconfiança, ou simplesmente pretende se proteger de uma suposta reação de outra pessoa. Há vários motivos para justificar o que não tem justificativa. Muitas vezes também mentimos para nós mesmos.

Minha intenção aqui não é julgar nem criticar, mas promover uma reflexão sobre o assunto. Não somos perfeitos, estamos sujeitos a errar, mas quando optamos por viver na verdade, temos paz e descanso independentemente das circunstâncias, e experimentamos a liberdade. E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará (João 8.32). Jesus é a verdade, é a luz que dissipa toda a escuridão.

Viva na verdade e seja livre!

Feliz 2023!

sexta-feira, 23 de dezembro de 2022

Vamos em frente

 

 
Por Vanessa Sene Cardoso

Quando vocês se desviarem para a direita ou para a esquerda, ouvirão atrás de vocês uma palavra, dizendo: “Este é o caminho; andem nele” (Isaías 30.21 – NAA). Gosto muito desse versículo, porque ele expõe uma realidade com a qual nos deparamos constantemente: O que fazer? Qual a melhor decisão? Qual a vontade de Deus? Enfim: Como evitar o erro, a frustração, a dúvida, as adversidades? Queremos garantias para uma jornada tranquila e bem-sucedida. O próprio texto bíblico nos dá a direção: O Espírito Santo nos guia. Ele está conosco para apontar o caminho.

Muitas vezes ficamos paralisados esperando de Deus um sinal claro para uma tomada de decisão. Ele nunca nos deixa sem resposta, mesmo que essa resposta seja o silêncio. Em alguns momentos, a direção que buscamos vem na caminhada, nos erros e acertos. Isso nos faz crescer, contribui no processo de amadurecimento. Vemos isso na história de homens e mulheres na Bíblia. Deus está conosco no processo, na jornada, assim como esteve com José. Quando olhamos para a trajetória desse homem vemos os enormes desafios e adversidades até que se cumprisse a promessa de Deus revelada em sonho. Leia Gênesis, capítulos 37 a 50, e confira essa história inspiradora.

Vale a pena refletir se a espera pela direção divina em nossa vida não esconde o medo de dar um passo de fé sem saber ao certo o que vai acontecer. Com isso, não estou dizendo que devemos agir por impulso ou sem consultar nosso Pai. Trata-se apenas de deixar vir à tona nossas motivações. Discernimento é a lanterna que vai iluminar nossa jornada. Isso acontece por meio do relacionamento com Deus, dia após dia.

— Venha! — respondeu Jesus. Pedro saiu do barco e começou a andar em cima da água, em direção a Jesus. Porém, quando sentiu a força do vento, ficou com medo e começou a afundar. Então gritou: — Socorro, Senhor! Imediatamente Jesus estendeu a mão, segurou Pedro e disse: — Como é pequena a sua fé! Por que você duvidou? Então os dois subiram no barco, e o vento se acalmou (Mateus 14.29-32 – NTLH).

Jesus está pronto a nos socorrer quando estivermos em apuros. Vamos em frente contando com a presença e direção do Espírito Santo.

sábado, 26 de novembro de 2022

Saindo do convencional

Por Vanessa Sene Cardoso

Já estamos às portas do último mês de 2022. Não sei para você, mas para mim o ano passou num piscar de olhos. Lembro-me, como se fosse hoje, quando mostrei minha singela decoração de Natal do ano passado para minha sobrinha e ouvi o seguinte comentário:

 – Dedé, essa decoração é improvisada, né?!

Fiquei surpresa com a interpretação dela e respondi, de forma descontraída:

 – Improvisada, não! Alternativa.

Ao mesmo tempo em que achei engraçada a observação dela, serviu de reflexão sobre o ponto de vista em relação às situações com as quais nos deparamos em nosso dia a dia. Nossa percepção do mundo, das atitudes das pessoas, das circunstâncias está baseada em nosso sistema de valores, nas crenças, no que foi ensinado para nós, no contexto em que estamos inseridos, em nosso histórico de vida. Cada um se acomoda dentro da sua caixa e, através dessa moldura, tenta assimilar o que acontece lá fora.

Só que com o passar do tempo e com as experiências, percebemos que a vida não é quadrada. No entanto, sair da nossa caixa confortável exige esforço, mas se desejamos fazer isso, a vontade é meio caminho andado. Quando isso acontece, somos enriquecidos, experimentamos liberdade e a vida se torna mais leve. Vale a pena!

O próprio Jesus nos deixou o exemplo; basta ler os evangelhos e constatar. Em Lucas 18.15-17, está escrito: Traziam-lhe também as crianças, para que as tocasse; e os discípulos, vendo, os repreendiam. Jesus, porém, chamando-as para junto de si, ordenou: Deixai vir a mim os pequeninos e não os embaraceis, porque dos tais é o reino de Deus. Em verdade vos digo: Quem não receber o reino de Deus como uma criança de maneira alguma entrará nele. Na época, as crianças não eram sequer contadas, não eram valorizadas na cultura. O Mestre, porém, tinha outro olhar sobre elas.

Tenho aprendido a usar outras lentes para enxergar o mundo ao meu redor. Observar uma situação de diferentes perspectivas não faz com que a essência perca espaço para a embalagem.

A foto que ilustra este artigo é uma planta sufocada por penduricalhos ou uma decoração de Natal alternativa? Experimente sair da caixa!