domingo, 11 de abril de 2021

Saber ouvir


Por 
Vanessa Sene Cardoso

Na multidão de conselhos há segurança (Provérbios 11.14 - RC). Esse texto me acompanha há muitos anos, principalmente, depois que ingressei na fase adulta. Trata-se de um conselho do homem mais sábio mencionado na Bíblia, o rei Salomão. Ele buscou a sabedoria na fonte e compartilhou conosco no livro de Provérbios.

Deus fala conosco de várias maneiras, e uma delas é por meio de outras pessoas. Vale ressaltar que aquilo que ouvimos deve passar pelo crivo da Palavra: Porque a palavra de Deus é viva, e eficaz, e mais cortante do que qualquer espada de dois gumes, e penetra até ao ponto de dividir alma e espírito, juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e propósitos do coração (Hebreus 4.12). Quando temos alguma decisão importante para tomar ou precisamos de alguma orientação é prudente buscar conselhos. Eles nos ajudam a decidir, a dar passos com mais segurança.

Muitas vezes, a exortação e o confronto nos auxiliam a discernir rumos que precisam ser corrigidos ou tomados em nossa vida. Receber críticas, ainda que construtivas, não é fácil; mas mesmo que elas não tenham fundamento e não se apliquem à nossa conduta, sempre servem para reflexão; ainda que as críticas sejam para nos ajudar a concluir que “estamos no caminho certo”, vale a pena ouvir. Sempre podemos aprender novas lições.

É válido ressaltar que ninguém é dono da verdade. Cada pessoa emite uma opinião com base em suas referências; nem sempre abrimos o filtro para considerar algo que não se encaixe em nosso “quadrado”. Uma situação sempre pode ser analisada sob mais de um ponto de vista, de uma perspectiva. Isso é muito rico! Por isso, o autor do livro de Provérbios diz que na multidão de conselhos há segurança.

Onde não há conselho fracassam os projetos, mas com os muitos conselheiros há bom êxito (Provérbios 15.22). Será que a falta de êxito não é resultado de orgulho, arrogância, dificuldade, relutância em buscar e ouvir conselhos? Encerro com essa pergunta para nossa reflexão. Afinal, temos dois ouvidos e uma boca.

sábado, 27 de março de 2021

Será o caos?

 



Por Vanessa Sene Cardoso

“Não viajo de avião, pois tenho medo dele cair”, já ouvi essa frase muitas vezes. E, realmente, nos últimos quinze anos - pelo menos - tivemos notícias de vários acidentes aéreos. Confesso que também fico meio tensa durante voos mais longos. Temos a sensação de que em terra firme estamos mais seguros. Mera ilusão!

Em 2016, um acidente em Londrina, cidade onde moro, me chamou a atenção. Um avião agrícola caiu sobre uma Kombi que transportava trabalhadores que faziam a capina dos canteiros da estrada. Cinco morreram. Talvez, nenhum deles tenha sequer entrado em uma aeronave, mas foram vítimas de um acidente aéreo. Detalhe: o piloto do avião teve ferimentos moderados.

Depois desse episódio, sempre que entro em um avião, costumo lembrar que o lugar mais seguro é nas mãos de Deus, pois ele tem o controle de todas as coisas, inclusive do tempo, das circunstâncias, da nossa vida: Até os fios dos cabelos da cabeça de vocês estão contados (Lucas 12.7 – NTLH). Como é bom saber dessa verdade!

Há um ano, temos vivido, enquanto aldeia global, dias difíceis provocados pela pandemia da Covid 19. Parece o caos social, político, sanitário, econômico. Tudo saiu do lugar. Nos últimos tempos, todos os dias, recebemos notícias de pessoas conhecidas, algumas bem próximas que estão contaminadas pelo coronavírus; famílias sofrendo pela perda de um ou mais entes queridos. Outras foram atingidas pela falta de trabalho, falência nos negócios, dificuldades financeiras, lutas emocionais e nos relacionamentos. Quanta dor!

Quando olhamos para esse cenário em que estamos inseridos e sujeitos a sermos atingidos, nos sentimos inseguros, com medo. Em meio ao que parece ser o caos, quero atrair a sua atenção para Gênesis 1.1-3: No princípio, criou Deus os céus e a terra. A terra, porém, estava sem forma e vazia; havia trevas sobre a face do abismo, e o Espírito de Deus pairava por sobre as águas. Disse Deus: Haja luz; e houve luz. Se continuar lendo esse capítulo sobre a criação verá que Deus, o nosso Pai, estabeleceu a ordem por meio da palavra: “Disse Deus”... “Haja”. “Que segurança! Sou de Jesus! Por ele agora vivo na luz!”*, encerro este artigo com um trecho desse velho hino, tão pertinente para os dias atuais.

E você? Vê luz e segurança em meio ao caos?

*Salmos e Hinos, Nº 409 – Segurança Bendita


Quero prestar uma homenagem a uma querida amiga, Kris Fitch, que nesta semana, dia 24.03.21, foi para a casa do Pai, onde não há choro, nem dor.

domingo, 31 de janeiro de 2021

Planos

 


Por Vanessa Sene Cardoso

Porque sou eu que conheço os planos que tenho para vocês, diz o Senhor, planos de fazê-los prosperar e não de lhes causar dano, planos de dar-lhes esperança e um futuro. Então vocês clamarão a mim, virão orar a mim, e eu os ouvirei. Vocês me procurarão e me acharão quando me procurarem de todo o coração (Jeremias 29.11-13 – NVI).

Creio que o texto acima é muito apropriado para o tempo em que vivemos. O primeiro mês do novo ano se encerra e muitos não se arriscam a planejar, ou preferem planos a curtíssimo prazo. Afinal, fomos surpreendidos em 2020 por uma onda que bagunçou o nosso cronograma. O que esperar em 2021?

A sensação que tenho é de estar em uma estrada com neblina, onde, mesmo com os faróis acesos, não é possível enxergar mais do que poucos metros adiante. Insegurança? Talvez. O salmo 119.105 nos apresenta uma verdade que serve de bússola para nos orientar: A tua palavra é lâmpada para guiar os meus passos, é luz que ilumina o meu caminho (NTLH). Com base nesse conselho do salmista, podemos caminhar em segurança, passo a passo, pois Jesus é a palavra e é a luz. A presença dele nos traz segurança, mesmo diante de um futuro incerto.

É importante planejar. O segredo é fazer isso buscando a direção de Deus, crendo que ele sempre tem o melhor para os seus filhos, como registrou o profeta Jeremias. Avante!!

quinta-feira, 31 de dezembro de 2020

Tenha bom ânimo

Por Vanessa Sene Cardoso

Fim de ano, na maioria das vezes, requer uma retrospectiva ou reflexão sobre os doze meses que se passaram. Decidi fazer uma analogia de 2020 e as etapas da vida. Aliás, ela passa em um piscar de olhos, assim como o ano.

Infância

A infância é a fase da imaginação, da fantasia. Quando eu era criança, costumava criar histórias, personagens com os quais conversava, e que povoavam as minhas brincadeiras solitárias. Nos momentos coletivos, o elenco exclusivo ficava quietinho dentro do meu universo particular. Junto com outras crianças, a coisa mudava de figura, ou melhor, surgiam novos personagens e invenções.

Brinquei e criei muito na infância. Um simples tapete cobrindo duas hastes de madeira encostadas no muro do fundo do quintal, e uma bacia de lavar roupa no gramado se transformavam em uma casa com piscina – a coqueluche dos anos 70 e 80. Tudo parecia grande e real. As bonecas tinham nome e, para mim, eram filhas, sobrinhas, irmãs...tinham vida própria.

Quando o ano começa, normalmente, é assim. E 2020 não foi diferente. Ficamos como crianças esperando por algo novo, surpreendente; basta observar o comportamento, as reações das pessoas na passagem do ano. Penso que até os mais pessimistas, lá no fundinho, têm expectativas e trazem à tona aquela velha criança, meio empoeirada, com algum mofo, cheirando naftalina; talvez meio sem vida, como as bonecas abandonados na adolescência. Mas ela está lá no interior.

Adolescência

A adolescência chega de repente. O corpo fica estranho, os hormônios desconfiguram a imagem diante do espelho: espinhas na testa; boca, nariz, orelhas ENORMES; e no caso dos meninos, ainda tem a voz que, em um segundo, sobe e desce uma oitava; os sentidos parecem ficar mais aguçados, e desordenados. Isso sem falar no turbilhão emocional. Para as meninas, em especial, tudo é intenso, ganha novas proporções: “Minha melhor amiga”, “Odeio cebola”; “Se eu tirar nota vermelha, morro”; “Pareço uma baleia”. Quem nunca?!

Descobrimos um mundo abstrato que nos suga da concretude da infância. A inocência se depara com a realidade. Queremos romper com a etapa anterior. Essa é a fase do conflito, do confronto, das dúvidas, dos questionamentos. A transição da infância para a vida adulta é um tempo marcado pela instabilidade. Parafraseando um adolescente, é o CAOS. Temos crise de identidade, inadequação; surgem os rótulos, apelidos.

Falando assim, parece não ter nada de bom. Mas quem já passou por essa fase sabe o quanto é divertido. A gente ri à toa, se apaixona, descobre como é legal fazer parte de uma turma, começa a conquistar autonomia, descobre tanta coisa nova.

A adolescência de 2020 começou em março. Quem imaginaria que, do dia para noite, nossa rotina, a sociedade, o mundo virariam de cabeça para baixo?! A pandemia de Covid-19 e seus desdobramentos desestabilizaram nossa vida, mudaram nossos hábitos, nossas relações, nossa comunicação. Ufa! Esse tema já foi abordado à exaustão.

Juventude

A juventude é a fase da sensação de invencibilidade. EU TENHO A FORÇA! Escolho minha carreira, conquisto a independência, sou o dono do meu nariz e da verdade. Para que ouvir o conselho dos mais velhos?! Eles estão por fora, ultrapassados – permitam-me essa pitada de exagero, ok?

Em maior ou menor escala, o jovem não se liga muito no passado, que é recente; e também não se imagina no futuro, embora faça planos. O que importa é o “agora”. Afinal, é uma fase de muito vigor, sonhos, desejos. Há muita energia para gastar, falta apenas o fio para conduzir e canalizar essa energia. Isso vem com o tempo e a experiência. Essa é a hora de quebrar a cara. Ainda dá tempo de recomeçar. A juventude é linda. Vigor, boa aparência física, muitas oportunidades pela frente.

Depois do turbilhão provocado pela pandemia, que deixou tudo fora do lugar, nos deparamos com novas possibilidades de fazer as coisas, reinventar o cotidiano, eis aí uma característica típica da juventude: inovar; desconstruir para depois reconstruir de outra forma. Tivemos que mudar nossos hábitos, comportamento, forma de comunicação.

Maturidade

Quando chegamos à fase adulta temos a convicção de algo que até então era uma suspeita: a vida é difícil. Nem tudo é possível; o fracasso e a frustração fazem parte do script; não existe príncipe encantado; as contas para pagar não falham; temos limitações; o controle é uma ilusão...

Como em cada etapa, a maturidade tem suas compensações. Adquirimos sabedoria com as experiências; entendemos que tudo passa; atingimos um estado de contentamento e conforto em ser quem somos, pois passamos a nos conhecer melhor; a opinião dos outros a nosso respeito perde força de comando; nossas emoções trocam a montanha russa pelo trenzinho; percebemos que, muitas vezes, a paz tem mais valor do que a razão. Experimentamos a liberdade.

E 2020 termina com algumas frustrações, sonhos abortados, planos não realizados, perdas; mas, como na maturidade, rico em aprendizado. Para mim, o saldo é positivo. Deixo a bola quicando para você... Reflita. É um bom exercício!

2021

Estas coisas vos tenho dito para que tenhais paz em mim. No mundo, passais por aflições; mas tende bom ânimo; eu venci o mundo (João 16.33).

A palavra de Jesus para nós hoje e no ano que se inicia é TENHAM BOM ÂNIMO. Não tem como evitar as intempéries da vida. Mas, em Cristo, encontramos a paz que não depende de circunstâncias. PAZ é o que desejo para você.

Feliz Ano Novo!

sábado, 28 de novembro de 2020

Encerrando nossos 10 anos

 

Por Vanessa Sene Cardoso

Eu gosto de ler. Não importa o estilo, pois para mim o prazer está na leitura. Livraria é um local de diversão. Amo cheiro de livro.

A vida e suas nuances são matéria prima para autores, que colocam uma pitada ou uma dose maior de imaginação para deixar a realidade mais atraente, ou até mesmo criar novas possibilidades, outros universos.

E como já disse em outro artigo, este ano teve cara de ficção. Nunca imaginei uma situação como esta: uma criatura invisível quase parar o mundo, mudar nossa forma de viver, de relacionar, de consumir, de comunicar. Independentemente da origem de tudo isso, o fato é que fomos impulsionados, do dia para a noite, para uma realidade diferente. A impressão que me dá é que somos personagens de um livro. Viajei, né?!

Ainda com incertezas, indefinições, estamos chegando ao fim de 2020. Um ano que, isso sim, com certeza, ficará na memória de todos nós. E foi nesse ano tão intenso que nosso Clube do Livro completou a primeira década. Marcante, não?!

Como promessa é dívida, deixo no meu blog uma coluna comemorativa dos nossos 10 anos, ressaltando que temos muita história para contar... de ficção e da vida real.Acesse aqui.

Inauguramos um novo capítulo, rumo à segunda década.

Viva o Clube do Livro! Um brinde a nós, meninas!

Gratidão a Deus!


E hoje é o aniversário da nossa líder, Lissandra! A foto foi em um lugar muito significativo, uma loja temática de uma das nossas autoras favoritas, Jane Austin.


sábado, 3 de outubro de 2020

Para você, o que são os livros?



Por Vanessa Sene Cardoso 


Há um tempo atrás, recebi um post ilustrando o que o livro representa em nossa vida – de quem faz parte do universo da leitura, é claro! Cito aqui os significados apresentados pelo autor do post: espelho, janela, porta, degrau, abrigo, ancoradouro, trampolim, escape, retiro, cobertor, tapete voador, farol... Creio que essa lista pode ser bem maior se colocarmos a nossa impressão nela.

Além da diversidade de significados que o livro tem para cada um, quero destacar algo: é um ponto de identificação entre pessoas diferentes. Nosso Clube do Livro testifica isso. Estamos juntas há uma década. É claro que a maioria de nós já tinha um relacionamento de amizade antigo, mas o que nos uniu, a ponto de iniciar essa “confraria”, foi o interesse em comum. Nossos encontros são bimestrais e como são enriquecedores, pois o livro é o ponto de partida para uma boa conversa. Eis aí mais um significado para a lista.

Já estamos caminhando para o fim do ano e, como me comprometi, estou escrevendo uma série de artigos para marcar nossos dez anos (leia os artigos da série aqui). 

Deixo um desafio para as meninas do clube e para quem estiver lendo esse artigo: “escreva na caixa de comentários o que o livro representa para você”.

E viva os 10 anos do Clube do Livro!

sexta-feira, 25 de setembro de 2020

Tito, o confiável

 

Por Vanessa Sene Cardoso

 

*O texto a seguir foi escrito para o livro da Campanha de 25 Dias de Jejum e Oração “Meus discípulos”, organizado pelo Pr. Rodolfo Montosa (1ª Igreja Presbiteriana Independente de Londrina). Vamos imaginar o que Jesus diria a respeito desse discípulo, tendo como base a carta do apóstolo Paulo endereçada a Tito.


Tito era gentio e foi por meio de meu servo Paulo, de sua ousada pregação, que ainda jovem me conheceu e teve uma experiência comigo. Eu o escolhi desde antes da fundação do mundo para ser meu discípulo. Deleguei a Paulo, como irmão
mais experiente e maduro, a missão de caminhar com Tito de forma que, a cada dia, me conhecesse mais.  A convicção de Paulo acerca de sua própria identidade e fé – Sejam meus imitadores, como também eu sou imitador de Cristo[1] – serviu de referência para o discípulo.

Por meio de suas viagens missionárias, Paulo, conhecido como apóstolo dos gentios, propagou a minha palavra e o plano da salvação a pessoas de diferentes nacionalidades, crenças e culturas. Muitos foram alcançados pela loucura da pregação[2] e, por onde ele passava, eu formava uma igreja com os novos convertidos.

Para conseguir dar assistência a essas igrejas, Paulo teria que contar com os discípulos que treinou, e que eram de sua inteira confiança, para encorajar, admoestar e consolidar os ensinamentos a meu respeito e sobre o meu reino. Tito, pela minha graça, contava com os requisitos para essa missão. Foi o meu escolhido para ir a Creta supervisionar uma das igrejas.

O íntimo relacionamento entre mim e Tito, fez com que ele conhecesse meu caráter, meus ensinamentos, e isso o capacitou a discernir entre a sã doutrina e o legalismo, o engano e as práticas perniciosas dos falsos mestres infiltrados na igreja. Um traço marcante da personalidade desse meu querido discípulo era a habilidade nas relações interpessoais, na solução de conflitos, sem se deixar persuadir pelos argumentos vazios e por partidarismos. Isso foi decisivo para a missão confiada a ele.

A recomendação dada a meu discípulo foi para organizar a igreja, começando pela liderança, que deveria estar ciente dos deveres e dos padrões de conduta para o exercício do ministério. Sua firmeza e assertividade seriam vitais para combater as falsas doutrinas e seus propagadores, bem como instruir homens e mulheres crentes idosos, para que fossem exemplos para os mais jovens, quanto ao seu papel no contexto familiar. Deveria orientar a juventude quanto ao seu caráter que é fruto da minha graça; os servos e seus senhores a respeito da fidelidade nas relações de trabalho; e sobre a obediência às autoridades constituídas, como testemunho de vida.

A realidade da igreja de Creta, quando Tito foi enviado para lá, era muito parecida com a que vivem algumas igrejas no século XXI. A verdade tem sido relativizada e se tornado adaptável às conveniências e desejos pessoais. Por isso, as orientações do meu discípulo são úteis e aplicáveis à minha igreja em todos os tempos. 

Tito era querido na família da fé. Prova disso, foi que Paulo, ao encerrar sua carta, recomendou que após cumprir a missão, se apressasse em ir ao encontro dele em Nicópolis. Testifico que Tito foi uma de minhas cartas vivas[3]. Assim como você que lê esse relato pode ser também.

* O livro pode ser adquirido em multiplicacaodapalavra.com.br

 


[1] 1 Coríntios 11.1 - NAA

[2] 1 Coríntios 1.21 - ARA

[3] 2 Coríntios 3.2