sexta-feira, 23 de outubro de 2026

Onde anda a lucidez?

Por Vanessa Sene Cardoso

O mês de outubro foi marcado pela guerra de narrativas que alimentaram a explosiva campanha eleitoral para a Presidência da República. Por menor interesse por política partidária que uma pessoa possa ter, ela não passou incólume aos algoritmos das redes socias. Foi um bombardeio de informações. A impressão é a de que quanto mais radical o conteúdo, mais disseminado ele é no ambiente digital.

Propostas mesmo, nem sinal. O destaque foi para a munição que cada lado da guerrilha disparou ao longo desse período. Como discernir a verdade em meio a um mar de fake news? Há quem diga: procure fontes confiáveis. Mas onde elas estão? Sendo que boa parte da imprensa tem bandeira. Cada fato é reproduzido em diferentes versões, dependendo do narrador. O eleitor indeciso fica no meio do fogo cruzado, como cego em tiroteio. Porque, nessa confusão toda, fica difícil enxergar a realidade.

O bom senso já saiu de cena há muito tempo. E a lucidez, onde anda? Será que a Inteligência Artificial tem a resposta? Para muitos influenciadores digitais, isso tudo é sinônimo de lucro, pois as narrativas travestidas de verdade, e apresentadas por quem tem o poder da oratória, rendem muitos vinténs.

O mais assustador é que as pessoas replicam conteúdos sem se dar conta de que estão se tornando soldados arregimentados dispostos a defender um comandante de maneira cega e alienada. E aqui me refiro aos dois lados da mesma moeda. A reflexão não é sobre escolher um lado ou outro, porque essa decisão é legítima. O que espanta é a falta de racionalidade. A paixão tem roubado a cena. Basta passear pelas redes sociais, conferir as mensagens nos grupos de WhatsApp para constatar essa triste realidade.

Está difícil. Ainda faltam dois dias para o desfecho desse pleito. Que Deus nos ilumine em meio à escuridão dessa guerra de narrativas. Que vença o Brasil!

quarta-feira, 30 de setembro de 2026

Contemplação


Por
Vanessa Sene Cardoso

“Quando estou em um lugar bonito, prefiro contemplar do que fotografar”. Já ouvi muito esse comentário. Eu gosto de contemplar e registrar. Quando assistimos a algum vídeo de pontos turísticos e principalmente de cenários naturais, meu marido sempre diz: Você ia ficar empolgadíssima nesse lugar, querendo fotografar tudo. Penso que a imagem materializa a memória. Lógico que, como tudo na vida, é preciso equilíbrio.

A vida corrida dos dias de hoje, muitas vezes, tenta nos roubar o tempo e a capacidade de contemplação. Com tantas demandas, e a cabeça cheia de preocupação, fazer uma pausa para observar uma flor ou o pôr do sol parece luxo. Somos a sociedade do ativismo. Nosso valor está associado à nossa produtividade, especialmente no trabalho. Com isso, é difícil sobrar espaço na agenda para uma atividade tão banal. Esta é a essência da reflexão: contemplar deveria fazer parte da nossa rotina. Faz bem para a alma, aquieta o coração e renova a esperança. Sabe por quê? Porque quando nos deparamos com algo tão lindo como a natureza, nosso olhar se volta para o Criador.

Tenho várias plantas em casa e, sempre que eu vejo uma nova flor, me emociono. Isso traz muita alegria ao meu coração, não só pela beleza, mas por lembrar que Deus está no controle e ele cuida dos detalhes da nossa vida.

― Por isso, digo a vocês que não se preocupem com a própria vida, quanto ao que comer ou beber; nem com o corpo, quanto ao que vestir. A vida não é mais importante do que a comida, e o corpo mais importante do que a roupa? Observem as aves do céu: não semeiam, nem colhem, nem armazenam em celeiros. Contudo, o Pai celestial de vocês as alimenta. Vocês não têm muito mais valor do que elas? Quem de vocês, por mais que se preocupe, pode acrescentar uma hora que seja à sua vida? ― Por que vocês se preocupam com roupas? Vejam como crescem os lírios do campo. Eles não trabalham nem tecem. Contudo, digo a vocês que nem Salomão, em todo o seu esplendor, vestiu‑se como um deles. Se Deus veste assim a erva do campo, que hoje existe e amanhã é lançada no fogo, não vestirá muito mais a vocês, homens de pequena fé? (Mateus 6.25-30 – NVI).

segunda-feira, 31 de agosto de 2026

Bendita que resplandece

 

Por Vanessa Sene Cardoso

Admiro quem tem talento para qualquer trabalho manual. Já tentei algumas atividades artesanais e descobri que, realmente, não tenho aptidão para pintura, desenho, costura, bordado, marcenaria e por aí afora… Mas sei apreciar a arte, ah, isso eu sei. Contemplar uma obra, que é resultado de mãos habilidosas e mente criativa, me toca profundamente. Faz bem para a alma e me arranca um sorriso. E a perícia do artista serve de inspiração para o meu ofício de escrever. Tanto é que hoje minha crônica é sobre uma artista que também é uma obra-prima: Bendita que resplandece.

Ela ama arte – especialmente patchwork – não apenas pela beleza do resultado, mas pelo desafio do processo. Vem a ideia; na sequência, papel e lápis para registrar o croqui. A combinação das cores e texturas dos tecidos é resultado de uma escolha apurada de quem quer produzir com qualidade. O tempo, ah, o tempo… Por mais ágeis e adestradas que sejam as mãos, a pressa não é uma boa guia. É preciso tempo – que até pode ser curto –, mas o tempo certo.

O artesanato é um instrumento de aprendizagem, desenvolvimento cognitivo, exercício da criatividade, uma linguagem para expressar pensamentos e emoções. Bendita, que, além de artista, é professora, sabe muito bem usar essa ferramenta para gerar conexões, extrair o melhor da gente e estimular relacionamentos. A arte serve de motivo para reunir, agregar, valorizar as pessoas. A jornada da criação é muito divertida com essa mestra. Por mais que exista uma forma de executar o trabalho, com ela sempre há espaço para cada um imprimir sua personalidade na peça. Já fui sua discípula. Inclusive tem uma obra que ficou estacionada. Pretendo retomar, minha amiga.

Bendita é abençoada e fonte de bênção. Quantas e quantas pessoas já foram alcançadas por sua gentileza, generosidade, atenção, cuidado, exortação. Ela consegue enxergar nas pessoas o lado direito enquanto o avesso ainda é um emaranhado de linhas. Motiva, apoia, ensina, caminha junto. Sou testemunha de tantos que passaram por sua vida, e alguns chegaram com a luz esmaecida em suas dificuldades – ou até apagada. Ela insiste, insiste até reacender a chama. Sabe por quê? Porque carrega no nome e na sua identidade a luz de Jesus. Não podia ter um nome mais apropriado que refletisse exatamente quem é: Bendita que resplandece. 

Receba essa crônica como uma forma de gratidão por sua amizade e irmandade. Um presente para quem sempre é presente na minha vida. Amo você.

sexta-feira, 31 de julho de 2026

Aceita um café?


Por Vanessa Sene Cardoso

Para você que, como eu, aprecia café, o que representa essa bebida? Apenas o protagonista na refeição matinal. Uma pausa no meio das atividades do dia. Um sabor marcante. Um auxílio quando precisa se manter alerta. Companhia no momento de leitura. Convite para uma boa conversa. Pausa para descanso. Gatilho para boas lembranças. Aromatizador de ambiente. Uma bebida com gosto marcante que eu não gosto. Para mim, uma xícara de café contém um pouco de tudo isso, exceto “uma bebida que eu não gosto”, porque aprecio muito. Posso dizer que faz parte das coisas boas da vida.

Se chego em uma loja, consultório ou outro ambiente que não é familiar e alguém me oferece um café, é como se dissesse: sinta-se à vontade. Quando estou vivendo um momento de estresse e um colega de trabalho me convida a uma pausa para um café, é sinal de acolhimento. Se uma amiga marca um encontro para tomar um café simboliza boa conversa, seja para diversão ou para abrir o coração. Amo ganhar café ou objetos relacionados a essa bebida, pois trata-se de um presente personalizado de alguém que me conhece bem ou, no mínimo, sabe do meu gosto.

Essa reflexão é menos sobre café e mais sobre levar a vida com leveza, generosidade, apreciando as pequenas coisas do dia a dia e fazendo diferença no ambiente em que estamos e na vida das pessoas do nosso convívio.


 

terça-feira, 30 de junho de 2026

O tempo e as amizades

Por Vanessa Sene Cardoso 

Hoje tomei café da manhã com uma amiga muito querida que está morando em outro país há quase cinco anos. Nunca perdemos o contato; nos falamos com frequência. Sempre nos mantemos atualizadas uma sobre a vida da outra. Mas já viu, né? O assunto nunca acaba. Foram três horas de conversa e não conseguimos esgotar os diversos temas do universo feminino.

Quando nos despedimos, para mim, ficou claro que mais importante do que a conversa – que foi ótima – é a presença. E esta não se restringe a estar perto fisicamente. O que nos une é a alegria de estar junto e compartilhar a vida. Deus tem me presenteado com amigas que, independentemente de tempo e espaço, são presentes. E algo muito legal é que não existe cobrança por atenção, pois nem sempre é possível estar disponível e tudo bem. Outro aspecto importante é que encontramos um lugar seguro para abrir o coração, sem julgamentos.

Um sinal de uma amizade madura e saudável é a sinceridade, transparência, verdade e liberdade de ser quem se é e, ainda assim, com defeitos e qualidades, desfrutar de aceitação. Uns puxões de orelha também são atribuição de um bom amigo. 

Poderia ficar horas discorrendo sobre amizade, e por mais que eu ame escrever, hoje prefiro guardar minhas considerações no coração. Como é bom desfrutar das amizades em tempo e fora de tempo!



sexta-feira, 29 de maio de 2026

O luto

Por Vanessa Sene Cardoso

O bebê, quando nasce, rompe com seu primeiro habitat e ingressa em um novo mundo. A mãe – que foi casa por nove meses – se acostuma, se adapta, nutre, vê seu corpo e emoções mudarem e, de repente, o ventre fica vazio. Começa uma nova relação. Ao longo da vida, vários ciclos se iniciam e se fecham. E é difícil passar por cada um deles sem ser afetado, nem que seja minimamente.

Da infância para a vida adulta, aquelas brincadeiras sem sentido, as histórias fantasiosas criadas pela nossa imaginação parecem perder a graça e a magia de uma hora para outra. A criança deixa de existir para dar lugar ao pré-adolescente, e assim sucessivamente.

Se por um lado passamos a usufruir da capacidade de abstração com mais naturalidade, por outro, tudo fica muito concreto: estudo, trabalho, contas para pagar, e outras imposições do cotidiano que fazem a vida funcionar. Autonomia e independência são conquistadas com as responsabilidades que chegam com o início da vida adulta – pelo menos deveria ser assim. Muitos resistem em iniciar esse novo ciclo, preferem prolongar o conforto de uma vida dentro do ninho. Como dói criar asas! Como dói empurrar os filhotes para o voo solo! Mas é o curso natural da vida. São ciclos que precisam ser fechados. Não tem como evitar o luto.

Com o passar do tempo, nos damos conta de quantos lutos existem na vida. Por que é tão difícil para um bebê abandonar a chupeta, a fralda? Engatinhar é mais rápido; uma vez que os primeiros passos são intercalados com quedas e falta de equilíbrio. E esse é só o começo. Os ciclos se repetem durante a vida, porém com outra roupagem, de acordo com a fase em que nos encontramos. Sair de casa, constituir família, envelhecer, perder a autonomia, encarar a morte. Por mais que essas fases possam não obedecer a ordem considerada natural, passamos por todas elas mais cedo ou mais tarde. O fio que conduz essas mudanças é o luto, pois ele se repete, muitas vezes, sem ser notado. Só se apresenta claramente quando nos deparamos com a morte de um ente querido. Talvez cada perda – pequena ou grande – ao longo da vida seja um ensaio para a última instância do luto.

Provavelmente, a gente não se dê conta dessa realidade, mas você já se percebeu com uma sensação de perda ou certa melancolia em alguns momentos? Às vezes sem discernir o motivo. Identificar perdas e lutos ao longo da nossa jornada é um passo decisivo para lidar com a dor das mudanças e receber ânimo, esperança e alegria para cada nova fase da vida. Porque, sim, a vida continua depois de cada perda e cada luto. Afinal, somos eternos. E isso nos consola e enche de esperança.

Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo propósito debaixo do céu: há tempo de nascer e tempo de morrer; tempo de plantar e tempo de arrancar o que se plantou; tempo de matar e tempo de curar; tempo de derribar e tempo de edificar; tempo de chorar e tempo de rir; tempo de prantear e tempo de saltar de alegria; tempo de espalhar pedras e tempo de ajuntar pedras; tempo de abraçar e tempo de afastar-se de abraçar; tempo de buscar e tempo de perder; tempo de guardar e tempo de deitar fora; tempo de rasgar e tempo de coser; tempo de estar calado e tempo de falar; tempo de amar e tempo de aborrecer; tempo de guerra e tempo de paz. Que proveito tem o trabalhador naquilo com que se afadiga? Vi o trabalho que Deus impôs aos filhos dos homens, para com ele os afligir. Tudo fez Deus formoso no seu devido tempo; também pôs a eternidade no coração do homem, sem que este possa descobrir as obras que Deus fez desde o princípio até ao fim. Eclesiastes 3.1-11

quinta-feira, 30 de abril de 2026

Cansada, eu?


Por Vanessa Sene Cardoso

Fazemos parte da sociedade do cansaço. Quantas vezes por dia ou por semana, você ouve: Estou cansado. Que canseira! Aff! Uff! Garanto que vão faltar dedos para enumerar, pois essas expressões fazem parte do nosso repertório. Ou não?

E o que tem nos deixado nessa condição? Os motivos são muitos, mas arrisco a dizer que a vida corrida, a necessidade de estar o tempo todo conectado, o bombardeio de informações, a dificuldade de organização da rotina, a relutância em dizer não, a insegurança em estabelecer prioridades.

Hoje há profissionais que ajudam pessoas a lidarem com as demandas da vida moderna. As muitas orientações e soluções apresentadas para o cansaço físico, emocional, mental ajudam, mas não solucionam, não são a palavra final. A minha intenção não é esgotar o assunto ou trazer uma resposta, mas sim provocar a reflexão.

“Venham a mim todos vocês que estão cansados e sobrecarregados, e eu lhes darei descanso. Tomem sobre vocês o meu jugo. Deixem que eu lhes ensine, pois sou manso e humilde de coração, e encontrarão descanso para a alma. Meu jugo é fácil de carregar, e o fardo que lhes dou é leve”. (Mateus 11.28-30 – NVT)



terça-feira, 24 de março de 2026

Quando eu for mais velha

 



Por Vanessa Sene Cardoso 

Quando eu era criança olhava a vida adulta como algo muito distante da minha realidade. Não entendia como meus pais, avós, tios e tias, enfim, os adultos da minha convivência, conseguiam resolver tantas coisas e se virar sozinhos. A palavra autonomia era algo muito fora do meu alcance. Era tão bom saber que alguém era responsável por mim. Podia me dedicar aos estudos, às brincadeiras, ao mundo imaginário e outras atividades compatíveis com aquela fase da vida. Para mim, confiança e segurança eram conceitos concretos. Sim, tinha minhas responsabilidades. Afinal, isso é importante para o desenvolvimento de uma criança. No entanto, minha infância foi leve, muito saudável e divertida.

Os adultos tinham suas particularidades que eu pensava que não teria quando chegasse na idade deles, pois não tinha noção de como seria o futuro. Dificilmente um adulto fazia uma traquinagem ou ria à toa. O semblante sério do dia a dia refletia as tantas demandas com as quais tinham que lidar. Era comum, nos momentos de conversas descontraídas, ouvir: “No meu tempo...” Essa expressão era carregada de saudosismo. Parecia que a parte boa da vida ficava no passado, na memória. Embora eu gostasse de ouvir as histórias dos adultos e idosos, pensava que nunca falaria isso, porque todo o tempo seria “o meu tempo”.

O tempo passou e hoje, muitas vezes, me pego falando: “No meu tempo...” Confesso que não me lembro quando essa expressão passou a fazer parte do meu vocabulário recorrente. Será que em algum momento a gente entra no modo automático e deixa de viver no presente? Por que isso acontece? Demandas do dia a dia, preocupações, distanciamento das novas gerações. Não sei a resposta, mas tenho refletido sobre o assunto. O bom é ter a percepção disso, pois é o primeiro passo para buscar o equilíbrio entre passado e presente, para que o futuro seja um presente melhor.

Algo que me ocorre neste momento é que posso falar “no meu tempo”, porque tenho uma trajetória, uma história de vida, isso é enriquecedor e faz parte da construção de quem sou hoje. O que não é saudável é, nos momentos de vulnerabilidade, usar o passado como esconderijo e instrumento de fuga.

Gosto de resgatar lembranças da infância, adolescência e juventude, inclusive para compartilhar com os mais novos, mas tenho percebido, a cada dia, que é essencial ouvir e aprender com as novas gerações. 

Encerro este texto com uma lição que aprendi com meu sobrinho quando ele tinha oito anos. Estava preocupada, e conversando com ele, disse:

— Nós, adultos, vamos deixando de lado a prática de brincar. Somos sérios a maior parte do tempo.
— Tia Vanessa, se um adulto chega em casa e começa a brincar com os filhos, esquece um pouco dos problemas e, quando vê, Deus já resolveu tudo.

 Chorei e reconheci:

— Você tem razão.

Meu sobrinho hoje está com dezenove anos e eu nunca esqueci daquela lição. Sigo aprendendo.

sábado, 28 de fevereiro de 2026

Mudando de assunto

Por Vanessa Sene Cardoso

Publico um artigo por mês no meu blog – geralmente no último dia do mês. Para encerrar fevereiro, havia escolhido o tema “Quando eu ficar velha”. A ideia era falar sobre como enxergamos nosso futuro partindo do nosso olhar na infância, depois na adolescência e o que nos tornamos na vida adulta. Escrevi dois parágrafos e o texto estava ficando bem legal, mas uma situação imprevista me fez mudar de assunto.

O texto estava salvo em um pen drive e eu iria transferir o arquivo para o computador para terminar de escrever. Quando fui iniciar essa operação, quem diz que o dispositivo abria? Ainda não sei o que aconteceu, mas fiquei muito chateada, pois perdi o acesso ao meu texto. E agora? Começar do zero? Decidi mudar de assunto. E deixar o tema escolhido para março.

Você pode estar pensando: Aonde ela quer chegar? Que assunto novo é esse? A ideia é refletir como ficamos dependentes da tecnologia. Ela interfere em nossa vida desde situações corriqueiras até circunstâncias mais complexas.

Imagine ficar sem energia, sem conexão. Você já deve ter passado por isso. Quanto prejuízo no trabalho, na comunicação! Mas como fazíamos antes da existência da internet, do mundo digital e das ferramentas tecnológicas? Muitas vezes nos deparamos sem saber que solução tomar. No meu caso, precisei escrever outro texto e para isso exercitei a paciência, a criatividade e fui levada a lidar com a frustração.

Ainda estou meio inconformada em ter perdido – pelo menos por enquanto – o meu texto original, mas acredito que encontrei uma boa saída para a situação e consegui administrar o estresse.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

Paciência


Por
Vanessa Sene Cardoso

Ao se deparar com a palavra “paciência”, o que isso provoca em você? Ela pode ter alguns sentidos de acordo com o repertório de vida, o momento em que se está vivendo, a personalidade de cada um. E aqui não estou me referindo ao significado da palavra, à sua etimologia, e sim ao conceito, ideia.

Paciência pode simbolizar:  

– Espere mais um pouco.
– Já era; está feito.
– Vamos caminhar mais uma milha.
– Perseverar até alcançar um objetivo.
– Vai demorar!

Viu só o que uma simples palavra pode evocar? Talvez você tenha outros significados para acrescentar à lista acima. No nosso dia a dia, a paciência é um atributo essencial para que a gente consiga enfrentar as adversidades, fortalecer relacionamentos, desenvolver habilidade social, cuidar das emoções.

A paciência faz parte do fruto do Espírito, conforme Gálatas: Entretanto, o fruto do Espírito é amor, alegria, paz, paciência, amabilidade, bondade, fidelidade (NVI). Se somos filhos de Deus, temos o Espírito Santo em nós e ele desenvolve o seu fruto em nossa vida. Portanto, a paciência é algo que foi implantado em nosso coração. Lembro-me de ouvir que quando oramos pedindo paciência, passamos por situações que exigem a prática dela. E é assim que crescemos.

Não é fácil exercitar a paciência. No entanto, é possível. E isso é o que basta. Que possamos fazer a escolha certa.

Meus irmãos, considerem motivo de grande alegria sempre que passarem por qualquer tipo de provação, pois sabem que, quando sua fé é provada, a perseverança tem a oportunidade de crescer. E é necessário que ela cresça, pois quando estiver plenamente desenvolvida vocês serão maduros e completos, sem que nada lhes falte (Tiago 1.2-4 – NVT).



domingo, 28 de dezembro de 2025

O novo assusta



Por
Vanessa Sene Cardoso

Como você encara o novo? Depende de que novo, do momento em que ele acontece, e da personalidade – afinal, cada um lida à sua maneira. Creio que para boa parte das pessoas, em menor ou maior escala, o novo assusta. Gostaria de refletir sobre um episódio bíblico que, no meu ponto de vista, retrata essa realidade.

Perguntou-lhe Jesus: Que queres que eu te faça? Respondeu o cego: Mestre, que eu torne a ver (Marcos 10.51). A pergunta de Jesus parece meio óbvia em se tratando da condição do seu interlocutor. A cegueira trazia muitas limitações ao homem; o privava de muitas coisas, como ver o mundo, as pessoas. Vivia na condição de mendicância, pois se encontrava impossibilitado para o trabalho.

As coisas novas, mesmo que sejam boas, trazem desconforto, pois nos acomodamos na condição em que estamos, até mesmo em situações difíceis, por incrível que pareça. Voltando a ver, o homem se tornaria independente e teria que buscar seu sustento de maneira autônoma – sem o apoio dos outros – o que demandaria esforço. Deixaria de ser alvo da atenção e piedade das pessoas. Veria o mundo de uma forma totalmente desconhecida. Teria que reaprender a se relacionar com as pessoas e com a vida de maneira geral. Será que estamos dispostos a sair da zona de conforto? A resposta do homem foi: que eu torne a ver.

Que a pergunta de Jesus nos faça refletir e que a atitude do homem nos inspire. Viva o novo! Feliz 2026!


sexta-feira, 28 de novembro de 2025

Sobre a amizade



Por Vanessa Sene Cardoso

Hoje é o dia do aniversário de duas amigas incríveis. E essa data me inspirou a refletir sobre a amizade. Essa é uma forma de relacionamento que pode durar a vida toda e é fruto de uma escolha. Amigas são bálsamo para a alma. É tão bom seguir a vida ao lado delas.

Quando estamos alegres ou temos alguma conquista, queremos logo compartilhar. Se acontece algo ruim, se estamos tristes, com problemas, angustiadas, pensamos em quem? Seja para rir ou chorar; calar ou falar, lá estão elas. Quando necessitamos de conselho ou apenas de uma escuta, sabemos que podemos contar com as amigas e isso traz conforto.

Ah, com elas também compartilhamos receitas, falamos da rotina, praticamos o servir. Amiga é presença, mesmo que os encontros não possam ser frequentes. Ao longo do tempo tenho experimentado a leveza que a amizade traz. Às vezes, nem há necessidade de falar, basta um gesto, um olhar e somos compreendidas e curadas pela simples empatia. E mesmo quando discordamos, ou entramos em atrito, aprendemos com a situação, porque a essência da amizade está em quem somos e não no nosso desempenho. A lealdade é a etiqueta da amizade. Lembrando que sempre há espaço para perdão e reconciliação.

Em todo tempo ama o amigo, e na angústia se faz o irmão (Provérbios 17.17).

Lissandra e Ellen, vocês são presentes e presença de Deus na minha vida!

Feliz aniversário!



sexta-feira, 31 de outubro de 2025

Virando a chave

Por Vanessa Sene Cardoso

Chegamos ao último dia de outubro, mês do meu aniversário. Amo festejar! Nasci no dia 13, mas não celebro apenas nessa data e, sim, o mês todo. Completei 54 anos. Embora esteja mais perto da velhice do que da juventude, sinto que minha alma se renova a cada ano. Muitas vezes, nem me dou conta de que sou uma jovem dos anos 90.

Trabalho e convivo com jovens no meu dia a dia. Três décadas me separam de alguns deles, mas confesso que só percebo esse abismo geracional, quando eles comentam algo que é muito específico da geração Z, e quando eu uso uma gíria ou expressão da “minha época”. Vejo estampado no rosto de alguns, um ponto de interrogação.

Amo conviver com pessoas de todas as idades e gerações, pois acho saudável e enriquecedor. A gente aprende o tempo todo. Como diz um amigo meu, do alto dos seus 85 anos: “quando eu parar de aprender vou ficar velho”. É a mais pura verdade.

Ouvi um trecho de um podcast, onde a entrevistada era uma jornalista, de 55 anos, que produz conteúdo, principalmente, voltado para mulheres 50+ – e olha que tem público jovem que segue o Instagram dela. O assunto era o envelhecimento. Ela disse algo que me chamou a atenção: “Eu não quero ser aquela velhinha fofinha, porque eu nunca fui assim. Quero manter a minha essência”.

É lógico que, ao longo da vida, a gente muda, cresce, amadurece (ou não). As situações pelas quais passamos nos forjam, marcam, transformam. Percebo que tudo isso, na verdade, vai revelando cada dia mais a nossa essência. Sendo assim, como vamos chegar à velhice? Talvez no ápice. Já pensou nisso? Afinal, nossa alma e espírito não perdem o vigor – a menos que a gente permita. Já o corpo... esse vai se acabando até voltar ao pó. Mas podemos cuidar dele com carinho para envelhecer com mais qualidade de vida.

Essa mesma jornalista que mencionei, iniciou um empreendimento novo e arrojado há um ano, quando tinha minha idade (#ficaadica). É sempre tempo de virar a chave e recomeçar em qualquer área da sua vida.

Está precisando de uma injeção de ânimo? Prepare o coração!

Se você anda desanimado, cansado ou cheio de enfado: ... O Senhor é o Deus eterno, o Criador de toda a terra. Ele nunca perde as forças nem se cansa, e ninguém pode medir a profundidade de sua sabedoria. Dá forças aos cansados e vigor aos fracos. Até os jovens perdem as forças e se cansam, e os rapazes tropeçam de tão exaustos. Mas os que confiam no Senhor renovam suas forças; voam alto, como águias. Correm e não se cansam, caminham e não desfalecem (Isaías 40.28-31 – NVT).

Conte com Jesus na sua caminhada!


terça-feira, 30 de setembro de 2025

Quem já?

 


Por Vanessa Sene Cardoso

Agrada-te do Senhor, e ele satisfará os desejos do teu coração (Salmos 37.4). Quem aqui já recebeu – de algum amigo ou familiar – essa palavra especialmente no dia do aniversário?  É muito comum no meio cristão, não é mesmo?

Normalmente, a intenção do emissário da mensagem é que aquela pessoa querida tenha suas vontades e sonhos atendidos. E, muitas vezes, temos a ilusão de que conquistando um bem material que almejamos, um emprego, casamento, e tantas outras coisas boas, seremos supridos e isso trará alegria ao nosso coração.

Orações respondidas, desejos atendidos, sonhos que se transformam em realidade – tudo isso é muito, muito bom! Mas será que é o suficiente para nos saciar? Já aconteceu com você de alcançar algo que há muito esperava, ter superabundância de felicidade e, depois de passada a euforia do momento, aquilo se tornar normal e a sua atenção ser dirigida para outro desejo? Por que isso acontece?

Como seres eternos, originados no próprio Deus, só encontramos contentamento e plenitude nele. Receber as dádivas e bênçãos é algo maravilhoso, mas não o suficiente para preencher o vazio interior. Por isso, o versículo citado no início do texto nos ensina: Agrada-te do Senhor, ou seja, do próprio Deus, pois só ele é capaz de nos satisfazer por completo. 

E como um Pai amoroso, fica feliz em dar boas coisas aos seus filhos. Por isso nos enche de bênçãos; mas vale lembrar que nenhuma delas é capaz de trazer contentamento permanente. São presentes que expressam a bondade do nosso Deus, mas não substituem a sua presença em nós.

Que tal encontrar satisfação em Cristo!


sábado, 30 de agosto de 2025

Criança e a internet

Por Vanessa Sene Cardoso

Você deixaria seu filho sozinho numa cidade grande?

O mundo digital é uma realidade nos dias de hoje. E muitas crianças (e adolescentes), SIM, caminham sozinhas – sem a supervisão dos pais ou de um adulto responsável – pelas redes sociais. Aliás, muitas delas têm o perfil criado por alguém da própria família e sem ter a idade mínima para isso.

Por que expor imagens da criança na internet?

“Ah! Todo mundo publica fotos e vídeos de filhos, netos, sobrinhos. É algo normal nos dias de hoje.”

“É tão fofinho, engraçadinho! As pessoas gostam de ver. Melhor do que o conteúdo ruim e maldoso que circula na internet.”

“Pensando bem, dependendo do conteúdo, é possível até mesmo obter retorno financeiro, um trabalho como outro qualquer. Afinal, influenciador digital é uma profissão dos dias de hoje.”

Mesmo não fazendo isso com má intenção, vale o ALERTA: Prestem atenção! Eu os envio como ovelhas no meio de lobos. Portanto, sejam prudentes como as serpentes ... (Mateus 10.16 – NVI).

Por que deixar a criança ter perfil em rede social?

“Que pergunta mais sem sentido! Faz parte da realidade atual. Não dá para deixar a criança presa em uma bolha, né?”

“Na verdade, o perfil é do meu filho, mas ele nem acessa. Eu sou o moderador.” (Ué? Pra quê, então?) 

Há outras formas de manter a criança conectada de maneira segura e saudável. Cada coisa a seu tempo.

Alguém vai dizer: “Eu posso fazer tudo o que quero.” Pode, sim, mas nem tudo é bom para você. Eu poderia dizer: “Posso fazer qualquer coisa.” Mas não vou deixar que nada me escravize (1 Coríntios 6.12 – NTLH).

A exposição da criança a conteúdos impróprios, e a exposição da criança para o público impróprio podem trazer muitos danos psicológicos para ela. Os criminosos, abusadores estão por toda parte. A gente sabe disso, mas, às vezes, parece longe da nossa realidade até que…

Por isso, nós, como adultos e responsáveis, temos que VIGIAR. Estejam alertas e vigiem. O Diabo, o adversário de vocês, ronda como um leão, rugindo e procurando a quem devorar (1 Pedro 5.8 – NVI).

É essencial que as crianças (e adolescentes) sejam fortalecidas em sua identidade como filhas de Deus; instruídas na verdade; supridas de segurança e amor dentro da família, pois, estando nutridas de afeto e cuidado, terão condições de, em seu crescimento, aprender a discernir as influências externas.

Lembrando: lugar de criança é à vista dos pais ou responsáveis. Precisamos estar atentos quanto ao uso da internet, em especial das redes sociais. Que conteúdo nossas crianças estão consumindo? Elas estão em exposição? Qual o nível de exposição a que estão sendo submetidas? O assunto é sério. 

“Aqueles que não cuidam dos seus, especialmente dos de sua própria família, negaram a fé e são piores que os descrentes.” (1 Timóteo 5.8 – NVT).


quinta-feira, 31 de julho de 2025

Sete motivos



Por Vanessa Sene Cardoso

Chegamos ao último dia do mês de julho. Uau! Parece clichê, mas o ano está voando ou não? O que você acha?

Pensei no que poderia escrever e me veio o desejo de agradecer. As minhas palavras, no entanto, não são suficientes para expressar o que está no meu coração. Por isso, decidi recorrer ao Verbo vivo, o meu Pai, e tomar emprestadas as palavras dele, registradas na Bíblia, para compartilhar aqui.

Rendei graças ao Senhor, porque ele é bom, e a sua misericórdia dura para sempre (Salmos 107.1).

Ó Senhor Deus, eu te louvarei com todo o coração e contarei todas as coisas maravilhosas que tens feito. Por causa de ti eu me alegrarei e ficarei feliz. Cantarei louvores a ti, ó Deus Altíssimo (Salmos 9.1-2 – NTLH). 

Este é o dia que o Senhor fez; regozijemo-nos e alegremo-nos nele (Salmos 118.24).

Louvado seja Deus, o Senhor, pois ele ouviu o meu grito pedindo ajuda (Salmos 28.6 – NTLH).

Lâmpada para os meus pés é a tua palavra e, luz para os meus caminhos (Salmos 119.105).

se somos infiéis, ele permanece fiel, pois de maneira nenhuma pode negar-se a si mesmo (2 Timóteo 2.13).

Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna (João 3.16).

Espero que esses motivos possam inspirar você!


segunda-feira, 30 de junho de 2025

Lá se vão 22 anos

 



Por Vanessa Sene Cardoso

Hoje é um dia especial. Completo 22 anos de trabalho na área de comunicação da 1ª Igreja Presbiteriana Independente de Londrina. Confesso que quando iniciei, naquele dia 30 de junho de 2003, não imaginava permanecer por tanto tempo. É lógico que nessa trajetória houve momentos de desafios, dificuldades, mas de muito aprendizado e contentamento. Tenho muita gratidão a Deus por ter me colocado onde estou.

É um privilégio exercer minha profissão nesse ambiente onde posso compartilhar com meus colegas de trabalho e irmãos na fé, não apenas as tarefas do dia a dia, mas a visão e missão de servir a Deus.

Provem e vejam que o Senhor é bom! Como é feliz o que nele se refugia! (Salmos 34.8 – NVT).

Posso dizer, sem sombra de dúvidas, que tenho provado da bondade do Senhor.

 

sexta-feira, 30 de maio de 2025

Na fila do caixa



Por Vanessa Sene Cardoso

Numa quinta-feira após o expediente, dei uma passadinha no supermercado – antes de ir para casa – para comprar um item que faria parte da nossa sopa naquela noite fria. Hum! Sempre que preciso de poucos produtos, costumo comprar na loja de uma grande rede que fica perto do trabalho.

Peguei o produto e, quando cheguei ao caixa rápido, pensei: Sem chance. Vai demorar um tempão. Observei a fila de outro caixa e havia duas pessoas na minha frente. Fiquei ali. Eu só não imaginava que passaria tempo suficiente a ponto de colher material para esta crônica.

Quando tenho que aguardar em alguma fila ou na sala de espera de consultório médico, gosto de observar as pessoas, o ambiente e situações que acontecem ao meu redor; e minha mente criativa cria histórias. Naquele dia não foi diferente. A mulher que estava na minha frente tinha feito uma comprinha até que considerável. Quando o atendente registrou todos os itens, fez a clássica pergunta:

— Forma de pagamento? 

A cliente disse: 

— No cartão de débito.

Até aí tudo bem. Só que ela iria usar o cartão alimentação e não tinha saldo suficiente, ou seja, o funcionário precisou fazer uma operação na caixa registradora de forma que a cliente pudesse distribuir o pagamento em dois cartões. Observando a situação, tive a impressão de que o atendente era novo ali. Enfim, demorou um pouco, mas a compra foi finalizada. Exceto por um detalhe:

— Completei a cartela da promoção, vou pegar os produtos — disse a cliente. 

O caixa conferiu a cartela, a cliente escolheu os produtos da promoção, ele registrou a compra e na hora de finalizar... A operação foi cancelada. Foi preciso chamar a supervisora.

— Você tinha que ter clicado “F9” — alertou a supervisora com uma expressão no rosto de quem já tinha passado várias vezes a mesma instrução.

— Mas foi o que eu fiz — retrucou o funcionário.

Quando a supervisora saiu de perto, ele desabafou:

— Foi problema do sistema, mas a culpa é sempre nossa. Por isso que eu falo mesmo!

Encerrado o atendimento, a cliente foi embora. Ufa! Chegou a minha vez.

Nesse mercado, após o atendimento, o funcionário pode ser avaliado. E na ânsia de ganhar a nota máxima, muitos se empenham em ser solícitos, simpáticos. E é aí que mora o perigo quando não é feito um treinamento adequado ou quando a pessoa não usa o bom senso.

Ele me atendeu de forma rápida. E enquanto eu colocava a compra em uma sacola, o rapaz começou a conversar com a próxima cliente, que era uma senhora muito elegante, de forma entusiasmada e com um grande sorriso no rosto.

— Boa noite! Tudo bem? A senhora vai ao bingo ou à igreja?