sábado, 4 de abril de 2020

A mulher na janela





Por Vanessa Sene Cardoso

Começo o texto pedindo permissão para dar um spoiler. Fique tranquilo! Na verdade, será um meio spoiler. “A mulher na janela” que identifica esse artigo é o título de um livro de ficção escrito pelo autor americano A. J. Finn. Ele conta a história de uma mulher que após uma experiência traumática desenvolve uma síndrome que a impede de sair de casa.

Anna mora sozinha e seu contato com o mundo externo passa a ser através da janela. Ela costuma acompanhar o que se passa do lado de fora observando os vizinhos; e onde o olhar não alcança, recorre à lente de uma câmera fotográfica para aproximar a realidade das famílias do bairro e entrar na vida delas. A protagonista busca a intimidade dos outros para fugir de si mesma, dos seus fantasmas. Vou parando por aqui. Espero ter despertado a sua curiosidade. Indico a leitura.

Esse foi o título escolhido para o nosso Clube do Livro há mais de dois meses. Quem poderia imaginar que, como disse uma amiga, o título seria profético... rs. Pois é! Estamos todas, por força das circunstâncias (pandemia Covid-19), reclusas entre quatro paredes. Nossa reunião hoje é em ambiente virtual. Da ficção para a realidade.

Vamos conversar sobre a história, trocar impressões, experiências a partir de um mesmo ponto de partida,  apresentando nossas observações, diferentes considerações sobre o assunto, e, principalmente, vamos bater papo despretensiosamente. Longe, mas perto.

Hoje somos as mulheres nas janelas... virtuais, é bom frisar. E viva os 10 anos do Clube do Livro!



sexta-feira, 3 de abril de 2020

No cantinho pra pensar



Por Vanessa Sene Cardoso

 “Agora você vai ficar ali no cantinho pra pensar”. Quem já recebeu essa ordem? Ela é ou, pelo menos, era comum na escola, em casa quando na infância fazíamos alguma “arte”, desobedecíamos, desrespeitávamos pai, mãe, ou outra figura que representava autoridade.

Como as crianças – boa parte delas – depois de algum tempo paradas começam a ficar inquietas, “o cantinho do pensamento” acaba sendo uma forma de disciplina, embora para algumas seja apenas um castigo mesmo. Tudo depende do ponto de vista, de como a experiência é assimilada.

Nos últimos dias, o cenário mundial, em decorrência da Covid-19, tem proporcionado o ambiente ideal para reflexão. A prática do distanciamento social colocou grande parte da aldeia global no cantinho do pensamento. Quando poderíamos imaginar que um inimigo invisível aprisionaria milhões de pessoas dentro de casa?! Sem trancas, sem algemas, no entanto, impedidas de ir e vir.

Nenhum arsenal bélico, nem tecnologias de ponta até agora foram capazes de vencer essa guerra. Creio que estamos no caminho, vai ter um fim, mas enquanto isso...

O mundo parou. Silêncio. Uma oportunidade para rever as prioridades. Nos dias de hoje somos consumidos pela correria cotidiana, pelas demandas da vida pós-moderna, pela velocidade das informações, pela dependência do ambiente virtual. Temos tantas ferramentas em mãos, que é muito fácil nos acharmos superpoderosos. De repente, em questão de semanas, fomos surpreendidos por uma circunstância que nos tirou o controle da situação, ou melhor, a enganosa sensação de controle.

Muitos de nós estamos tendo que enfrentar a nós mesmos, lidar com os relacionamentos, olhar com mais atenção para quem está próximo. Como vamos encarar esse momento? Talvez para você esteja tudo normal. Mesmo assim, vale a pena o exercício da reflexão. Como temos conduzido nossa vida? O que está legal e o que precisa de um novo rumo? Quais são nossos sonhos? Vamos aproveitar essa chance em que nos vemos obrigados, de certa forma, a dar uma pausa na rotina acelerada, e pensar, planejar, colocar ordem no mundo interior, ou relaxar mesmo. Há quanto tempo você não fica sem fazer nada?

Se no dia a dia nos dividimos entre os mundos real e virtual. Agora a balança está pendendo mais para o segundo. Estamos operando no ambiente e no modo digital. A conexão diminui as distâncias e facilita a comunicação. Realmente, o mundo parece uma aldeia em que os povos, independentemente de suas peculiaridades, vivem a mesma experiência. Sendo assim, podemos nos sentir no mesmo barco, ótima oportunidade para o exercício da solidariedade e da empatia.

Diante de tudo isso é reconfortante saber que: Os olhos do SENHOR estão em todo lugar (Provérbios 15.3). É ele quem faz mudar os tempos e as estações; é ele quem põe os reis no poder e os derruba; é ele quem dá sabedoria aos sábios e inteligência aos inteligentes (Daniel 2.21-23 – NTLH). Deus tem tudo debaixo de suas mãos e do seu controle. Ele é quem coloca ordem no caos, conforme os seus propósitos.

É tempo de recolhimento. Mas logo estaremos liberados do cantinho do pensamento.



sábado, 8 de fevereiro de 2020

Uma década: 60 livros e muita história pra contar



Por Vanessa Sene Cardoso

Com o livro “A sala das borboletas” de Lucinda Riley, completamos nossa sexagésima leitura no Clube do Livro. Títulos e estilos variados; muita reflexão; boas risadas; conversa; casamentos; chá de bebê; aniversários; mudanças; lanches saborosos; descobertas; gente que veio, partiu, voltou... Dez anos. Ao longo desse tempo, chego à conclusão que estou mais rica. Para mim livros contêm tesouros, pois em suas páginas temos a riqueza da linguagem, o estímulo à imaginação, novos conhecimentos, o despertar de diferentes emoções, sensações e muito mais.

Mas meu destaque neste artigo é para as integrantes do Clube do Livro. Hoje somos oito mulheres com uma paixão em comum pela leitura. E cada uma, com suas peculiaridades, tem participado da construção da história do nosso Clube.

Vamos lá, meninas! Sabedoria, humor ácido, liderança, beleza, delicadeza, generosidade, experiência, amizade, compromisso são algumas das características que, juntas, trazem uma identidade ao nosso Clube do Livro. Quero registrar aqui minha alegria e gratidão por fazerem parte da minha vida, e pela oportunidade que me dão de ler e ser edificada por esses livros vivos que são vocês. Beijo no coração! Parabéns para nós! Que venham as próximas décadas...

Ah! E para comemorar nossa primeira década, iniciando com esse artigo, pretendo escrever uma série de textos sobre leitura e sobre o nosso Clube do Livro.


terça-feira, 31 de dezembro de 2019

Em 2019, meu namorado me inspirou





Por Vanessa Sene Cardoso

Nesta última manhã de 2019 recebi um vídeo do meu namorado em que um cachorro, com seu latido, enfrenta um leão e sua companheira. Quem postou o vídeo em uma rede social usou a seguinte legenda: “Quando alguém é sem noção”. O Ricka, ao compartilhar comigo, escreveu: “Eu tô igual ao cachorrinho”. Era uma brincadeira que, a princípio, até não achei muita graça.

Em seguida recebi em um grupo de Whatsapp uma mensagem de despedida do ano que se vai, e encorajamento para o que se aproxima, com base no texto de Josué 1.9: “Lembre da minha ordem: ‘Seja forte e corajoso! Não fique desanimado, nem tenha medo, porque eu, o SENHOR, seu Deus, estarei com você em qualquer lugar para onde você for!’” (NTLH).

O vídeo e o texto bíblico parecem não ter nada a ver um com o outro, mas a frase bem-humorada do meu namorado fez uma conexão entre os dois. Coragem, ânimo, fé e confiança em Deus foram marcas na vida dele ao longo de 2019 e que me inspiraram. As batalhas foram muitas, mas, realmente, o Ricka não se intimidou. Agiu como o protagonista do vídeo: foi para cima das ameaças e adversidades cotidianas; assim como Davi enfrentou Golias, em nome do Senhor dos Exércitos e não com “armas” ou apenas recursos humanos (1 Samuel 17.37-50).

Em Deus, nossos recursos são potencializados; os “cinco pães e dois peixes” são multiplicados. E a fé depositada na pessoa certa – Jesus – nos faz experimentar o impossível.

"Aqui está um rapaz com cinco pães de cevada e dois peixinhos, mas o que é isto para tanta gente?"

Disse Jesus: "Mandem o povo assentar-se". Havia muita grama naquele lugar, e todos se assentaram. Eram cerca de cinco mil homens.

Então Jesus tomou os pães, deu graças e os repartiu entre os que estavam assentados, tanto quanto queriam; e fez o mesmo com os peixes.

Depois que todos receberam o suficiente para comer, disse aos seus discípulos: "Ajuntem os pedaços que sobraram. Que nada seja desperdiçado".

Então eles os ajuntaram e encheram doze cestos com os pedaços dos cinco pães de cevada deixados por aqueles que tinham comido (João 6.9-13 – NVI).

Com esse episódio da vida de Jesus, encerro meu artigo. Que em 2020 tenhamos coragem e fé em Deus para seguir em frente cumprindo o propósito dele para nossa vida.

Ricka, você tem muita NOÇÃO da vida em Cristo. Feliz Ano Novo! Amo você.

Assista ao vídeo do cachorrinho corajoso...rsrsr aqui.



sábado, 12 de outubro de 2019

Sempre presente


Por Vanessa Sene Cardoso 

Adaptação do texto de Rodolfo Montosa para o livro "Ouvindo Jesus de A a Z" (versão infantil)

Olá! Convido você para passear. Use a sua imaginação, combinado?! Vamos entrar no avião, colocar o cinto de segurança. Pode sentar ao lado da janela. Estamos subindo. Atravessamos as nuvens. Olhe! Estamos longe do chão. Tudo ficou pequenininho lá embaixo. Até parece uma cidade de brinquedo. Não se preocupe! Eu sou Jesus e, bem aqui no alto, estou com você.

Agora nós vamos para outro lugar. Que tal mergulhar?! Você prefere na piscina ou no fundo do mar? No fundo do mar tem mais coisas legais para ver, não é?! Peixes, algas... Coloque o equipamento de mergulho. Pronto. Vamos! Veja como tudo é lindo por aqui. Não precisa ter medo, porque estou com você aqui embaixo da água.

Chega de passeio. Vamos brincar de esconde-esconde. Chame seus amigos. Já sei um lugar legal para ser nosso esconderijo, aonde ninguém vai nos encontrar. Debaixo da cama. A luz está apagada. Não tenha medo, pois estou sempre com você, mesmo no escuro.

Gosto muito de estar junto com você, em qualquer lugar. Nunca lhe deixo sozinho. Sabe por quê? Porque moro no seu coração. Por isso, pode ter certeza que não vou abandonar você. Onde for, irei também.

Quando você acorda, toma o seu café, brinca, almoça, vai para a escola, faz as tarefas, toma banho, dorme, eu estou ao seu lado.

Fico juntinho com você nos momentos ruins, tristes e de medo. Quando está doente, quando seu amigo não quer brincar, quando a tarefa da escola é difícil, ou quando perde seu bichinho de estimação. Pode me pedir ajuda, estou pronto para defender e proteger você.

Mas também estou na sua festinha de aniversário, cantando parabéns, pois me sinto feliz porque você existe. Sempre que acontece alguma coisa boa na sua vida, eu pulo de alegria. Como já disse, estou pertinho.

Lembre-se! Estou presente hoje na sua vida, e estaremos juntos para todo o sempre.

*O livro pode ser adquirido em Multiplicação da Palavra. Acesse aqui.

domingo, 11 de agosto de 2019

PAI



Por Vanessa Sene Cardoso
Foto: Eduardo Sene Cardoso


Datas comemorativas, por mais que tenham um apelo comercial, acabam servindo para reflexão. Talvez porque o tema esteja estampado por todo lado: internet, TV, impressos, outdoors, vitrines. O comércio quer vender. Mas na correria do dia a dia, muitas vezes, não paramos para pensar. E, pelo menos, a data comemorativa, ainda que seja uma tradição, atrai a nossa tão concorrida atenção, mesmo que por pouco tempo.

É comum a gente ouvir: todo dia é dia dos pais. Concordo. Mas, sabendo disso, quem de nós comemora? Esse reconhecimento é feito por meio do respeito, do carinho, do relacionamento diário. Ótimo. É o que deve ser. Mas acho válido separar um dia para homenagear e presentear nossos pais.

Bom, quero falar do meu pai. Primeiramente, ele é PAI. Não é clichê e não digo isso por ser dia dos pais. Ele sabe o que significa para mim. Foi olhando para o meu pai, Samuel, que eu pude conhecer Deus, o meu Pai. Esse é o maior tesouro que recebi na minha vida, e é para a eternidade.

Quando a paternidade é exercida, mesmo que de forma imperfeita, ela produz equilíbrio na vida de um filho. Ele percebe, por meio da presença, das palavras, dos gestos, dos limites, do amor, das falhas, o senso de pertencimento. E é assim que me sinto. Sou filha amada do meu pai Samuel e do meu Pai Eterno. Na verdade sou filha e, ao mesmo tempo, irmã do meu pai. Só Deus mesmo para fazer uma coisa dessas. E melhor, nunca vamos nos separar.

Escrevo essas palavras para expressar, de forma pública, o que ele já sabe no privado, o amor, o respeito, a admiração, o reconhecimento e a honra ao meu pai.

Vou parando por aqui, pois nenhuma palavra é capaz de expressar o que o meu pai representa para mim.

Amo você para sempre, PAI.



A foto abaixo é do lançamento do meu primeiro livro. Meu pai sempre foi meu maior incentivador para escrever.



sexta-feira, 28 de junho de 2019

Desligue falsas identidades




Por Vanessa Sene Cardoso

Quando somos apresentados a alguém, dizemos nosso nome. Em algumas situações, isso não é suficiente para nos identificar, precisamos mostrar RG ou certidão de nascimento, que comprovam nossa existência civil. Nome e documentos são passíveis de falsificação, não são extremamente confiáveis para identificar uma pessoa. Há algo, porém, que é individual e intransferível: as impressões digitais. Somos únicos.

Deus formou o mundo por meio da palavra: Haja... e houve. No entanto, quando criou o homem, colocou nele uma porção de si mesmo: À imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou (Gênesis 1.27). Soprou em suas narinas o fôlego da vida (Gênesis 2.7 – A Mensagem). Em Gênesis 2.9, lemos que o Senhor fez brotar todo tipo de árvore no Éden: E também a árvore da vida no meio do jardim e a árvore do conhecimento do bem e do mal. Deus disse que o homem poderia se alimentar de todas, exceto da árvore do conhecimento do bem e do mal, pois, se dela comesse, morreria (Gênesis 2.16-17).

O homem e a mulher desobedeceram a Deus, foram separados do Pai e esconderam-se. A partir desse momento eles se perderam e já não se viam como imagem e semelhança de Deus. O pecado fez com que toda a descendência humana assumisse falsas identidades. Perdemos nossa essência, nossa referência. Sobrou o vazio interior que, desde então, a humanidade busca preencher.

Jacó foi um homem escolhido por Deus. Herdeiro da natureza pecaminosa, enganou seu pai, roubando de Esaú o direito e a bênção da primogenitura. Fugiu para não ser morto pelo irmão. Depois de muitos anos, quando regressava para a sua terra, teve um encontro com Deus, lutou com ele e foi vencido. Esse episódio foi um divisor de águas para Jacó, que desligou-se de suas falsas identidades e foi marcado pelo Deus verdadeiro. Recebeu um novo nome: Israel. E se tornou o pai de uma grande nação.

Jesus era judeu e, portanto, descendente de Israel. Certa vez, parou para descansar próximo à fonte de Jacó, que abasteceu muitas gerações. Pediu água para uma samaritana. A mulher ficou espantada, pois: Jesus era homem e judeu; e ela, além de mulher, era samaritana (duplamente discriminada na época). Carregava muitos rótulos. Jesus lhe ofereceu a água viva, da qual Jacó também experimentou: Aquele, porém, que beber da água que eu lhe der nunca mais terá sede; pelo contrário, a água que eu lhe der será nele uma fonte a jorrar para a vida eterna (João 4.14). Ela encontrou em Cristo sua verdadeira identidade.

Quem tem o Filho, tem a vida (1 João 5.12). Somente em Cristo, recebemos nossa verdadeira identidade: filho de Deus. Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, a saber, aos que creem no seu nome (João 1.12).

*Este texto foi publicado no livro (DES)LIGUE, organizado por Rodolfo Montosa para servir de roteiro para campanha de jejum e oração. O livro pode ser adquirido em Multiplicação da Palavra.