sábado, 3 de outubro de 2020

Para você, o que são os livros?



Por Vanessa Sene Cardoso 


Há um tempo atrás, recebi um post ilustrando o que o livro representa em nossa vida – de quem faz parte do universo da leitura, é claro! Cito aqui os significados apresentados pelo autor do post: espelho, janela, porta, degrau, abrigo, ancoradouro, trampolim, escape, retiro, cobertor, tapete voador, farol... Creio que essa lista pode ser bem maior se colocarmos a nossa impressão nela.

Além da diversidade de significados que o livro tem para cada um, quero destacar algo: é um ponto de identificação entre pessoas diferentes. Nosso Clube do Livro testifica isso. Estamos juntas há uma década. É claro que a maioria de nós já tinha um relacionamento de amizade antigo, mas o que nos uniu, a ponto de iniciar essa “confraria”, foi o interesse em comum. Nossos encontros são bimestrais e como são enriquecedores, pois o livro é o ponto de partida para uma boa conversa. Eis aí mais um significado para a lista.

Já estamos caminhando para o fim do ano e, como me comprometi, estou escrevendo uma série de artigos para marcar nossos dez anos (leia os artigos da série aqui). 

Deixo um desafio para as meninas do clube e para quem estiver lendo esse artigo: “escreva na caixa de comentários o que o livro representa para você”.

E viva os 10 anos do Clube do Livro!

sexta-feira, 25 de setembro de 2020

Tito, o confiável

 

Por Vanessa Sene Cardoso

 

*O texto a seguir foi escrito para o livro da Campanha de 25 Dias de Jejum e Oração “Meus discípulos”, organizado pelo Pr. Rodolfo Montosa (1ª Igreja Presbiteriana Independente de Londrina). Vamos imaginar o que Jesus diria a respeito desse discípulo, tendo como base a carta do apóstolo Paulo endereçada a Tito.


Tito era gentio e foi por meio de meu servo Paulo, de sua ousada pregação, que ainda jovem me conheceu e teve uma experiência comigo. Eu o escolhi desde antes da fundação do mundo para ser meu discípulo. Deleguei a Paulo, como irmão
mais experiente e maduro, a missão de caminhar com Tito de forma que, a cada dia, me conhecesse mais.  A convicção de Paulo acerca de sua própria identidade e fé – Sejam meus imitadores, como também eu sou imitador de Cristo[1] – serviu de referência para o discípulo.

Por meio de suas viagens missionárias, Paulo, conhecido como apóstolo dos gentios, propagou a minha palavra e o plano da salvação a pessoas de diferentes nacionalidades, crenças e culturas. Muitos foram alcançados pela loucura da pregação[2] e, por onde ele passava, eu formava uma igreja com os novos convertidos.

Para conseguir dar assistência a essas igrejas, Paulo teria que contar com os discípulos que treinou, e que eram de sua inteira confiança, para encorajar, admoestar e consolidar os ensinamentos a meu respeito e sobre o meu reino. Tito, pela minha graça, contava com os requisitos para essa missão. Foi o meu escolhido para ir a Creta supervisionar uma das igrejas.

O íntimo relacionamento entre mim e Tito, fez com que ele conhecesse meu caráter, meus ensinamentos, e isso o capacitou a discernir entre a sã doutrina e o legalismo, o engano e as práticas perniciosas dos falsos mestres infiltrados na igreja. Um traço marcante da personalidade desse meu querido discípulo era a habilidade nas relações interpessoais, na solução de conflitos, sem se deixar persuadir pelos argumentos vazios e por partidarismos. Isso foi decisivo para a missão confiada a ele.

A recomendação dada a meu discípulo foi para organizar a igreja, começando pela liderança, que deveria estar ciente dos deveres e dos padrões de conduta para o exercício do ministério. Sua firmeza e assertividade seriam vitais para combater as falsas doutrinas e seus propagadores, bem como instruir homens e mulheres crentes idosos, para que fossem exemplos para os mais jovens, quanto ao seu papel no contexto familiar. Deveria orientar a juventude quanto ao seu caráter que é fruto da minha graça; os servos e seus senhores a respeito da fidelidade nas relações de trabalho; e sobre a obediência às autoridades constituídas, como testemunho de vida.

A realidade da igreja de Creta, quando Tito foi enviado para lá, era muito parecida com a que vivem algumas igrejas no século XXI. A verdade tem sido relativizada e se tornado adaptável às conveniências e desejos pessoais. Por isso, as orientações do meu discípulo são úteis e aplicáveis à minha igreja em todos os tempos. 

Tito era querido na família da fé. Prova disso, foi que Paulo, ao encerrar sua carta, recomendou que após cumprir a missão, se apressasse em ir ao encontro dele em Nicópolis. Testifico que Tito foi uma de minhas cartas vivas[3]. Assim como você que lê esse relato pode ser também.

* O livro pode ser adquirido em multiplicacaodapalavra.com.br

 


[1] 1 Coríntios 11.1 - NAA

[2] 1 Coríntios 1.21 - ARA

[3] 2 Coríntios 3.2


sábado, 1 de agosto de 2020

Descobrindo o universo das séries



Por Vanessa Sene Cardoso

Gosto de filmes, documentários e outras categorias de audiovisual, mas confesso que o velho e bom livro ainda está no topo da minha lista de preferências em termos de lazer. Como já mencionei em outros artigos, a leitura aguça a imaginação.

“Uma imagem vale mais do que mil palavras” é um dito popular que se aplica a muitos casos, mas ouso dizer que a recíproca é verdadeira. As palavras abrem um universo de possibilidades para a criação de imagens, ainda que no campo da mente.

Há poucas semanas comecei a assistir “Prison Break: Em Busca da Verdade”, uma série que prendeu a minha atenção. Não tenho o hábito de assistir séries, por isso fiquei pensando no que, realmente, me atraiu. A interpretação dos atores, o cenário, a fotografia... hum...acho que não. Depois de refletir, descobri que o roteiro e a história me conquistaram, ou seja, o texto, o enredo. Os demais elementos dão vida a tudo isso. As cenas curtas me dão a sensação de estar virando as páginas de um livro.

“O lado oculto”, de Nora Roberts, é a leitura da vez do nosso Clube do Livro. Terminei antes de iniciar a série Prison Break. Ao devorar as páginas foi como se estivesse assistindo a um filme. Até comentei com minhas amigas. Senti uma vontade de ver a história adaptada para as telas.

Observar as coisas por outro ângulo é sempre produtivo, descobrir possibilidades, ir além do que já faz parte do nosso universo particular. Deixo meu desafio para quem não tem o hábito de leitura a se arriscar no mundo das letras. Elas têm muito a revelar e estimular o mundo da imaginação.

Meninas do Clube do Livro, se tiver o filme de “O lado oculto”, topam assistir?! 

#10anosClubedoLivro


sexta-feira, 31 de julho de 2020

Azul e branco



Por Vanessa Sene Cardoso

Tenho o hábito de ler a coluna Aos Domingos Pellegrini nas edições de fim de semana da Folha de Londrina. O texto de 20/21 de junho deste ano teve como título “A turma do azul e branco”. Chamou a minha atenção a aplicação feita pelo autor, de que há um grupo cuja bandeira não é vermelha e, por outro lado, não se identifica com alguns movimentos que têm se apropriado das cores verde e amarela, do principal símbolo brasileiro, para expressar uma linha ideológica. A proposta do meu artigo não é enviesar a reflexão, se é que isso é possível.

Em tempos de polarização, a “turma do azul e branco” pode acabar sendo rotulada, pelos mais inflamados, de a “turma em cima do muro”. E, na verdade, é sobre essa classificação que eu quero falar hoje.

O que é “ficar em cima do muro”? Essa definição no atual contexto político, social, cultural talvez seja não escolher um dos lados considerados preponderantes nessas diversas áreas, ou ser omisso, não ter opinião, e por aí afora. Ter um posicionamento não significa escolher um dos lados que predominam, principalmente, no cenário virtual. Digo isso, porque é nesse ambiente onde a rivalidade tem sido exposta e amplificada nos últimos tempos.

Defender um ponto de vista com fervor, principalmente se há argumentos consistentes, é uma virtude; o problema é quando se atravessa o muro na tentativa de impedir o outro lado de exercer o mesmo direito. Extrapolar o campo das ideias e invadir o terreno pessoal é perigoso. Talvez seja este equilíbrio que esteja em falta no atual momento. Nesse caso, o “muro” pode ser o elemento que limita o espaço de cada um. Aqui temos um novo ângulo: muro X polarização. Veja que, dependendo da perspectiva, as duas faces (polarização de ideias) podem ser partes de uma mesma moeda.

Nossos valores e princípios são a referência para assumirmos nosso posicionamento diante das circunstâncias. Penso que, independentemente da corrente ideológica, o respeito é o muro que limita o espaço de cada um.

Meu filho, guarde consigo a sensatez e o equilíbrio, nunca os perca de vista; trarão vida a você e serão um enfeite para o seu pescoço. Então você seguirá o seu caminho em segurança e não tropeçará; quando se deitar, não terá medo, e o seu sono será tranquilo. Não terá medo da calamidade repentina nem da ruína que atinge os ímpios, pois o SENHOR será a sua segurança e o impedirá de cair em armadilha. Quanto for possível, não deixe de fazer o bem a quem dele precisa (Provérbios 3.21-27 – NVI).

Para ler o artigo “A turma do azul e branco”, de Domingos Pellegrini, acesse aqui.


quinta-feira, 25 de junho de 2020

O quê? Quem? Quando? Onde? Como? Por quê?


Por Vanessa Sene Cardoso

Se você encontrar a resposta para essas seis perguntinhas, já tem, praticamente, um texto pronto. O restante são detalhes e informações complementares para enriquecer, dar consistência e beleza ao texto.

Escrever nem sempre é tarefa fácil, pois é necessário ter base, conteúdo confiável,  argumentação coerente, conhecimento da língua, clareza na escrita. Quero destacar a importância do uso correto da pontuação, pois uma “vírgula” no lugar errado muda o sentido da frase e pode provocar danos incalculáveis e ruído na comunicação.

Creio que escrever bem é um dom, uma habilidade; mas se você não foi agraciado com esse talento natural, não desanime! É possível desenvolvê-lo. O hábito da leitura e a prática de escrever são o caminho. Veja bem:  eu disse “o caminho” e não “os caminhos”, pois essa combinação é essencial para elaborar um bom texto.

Amo ler e escrever. E quero compartilhar uma dica de leitura para você que, como eu, tem a escrita como uma prática cotidiana: “A arte de escrever bem – um guia para jornalistas e profissionais do texto”, de Dad Squarisi e Arlete Salvador. O livro traz informações relevantes, numa linguagem simples e leve, com exemplos que reforçam os conceitos técnicos. Boa leitura!




sábado, 13 de junho de 2020

Refúgio secreto






Por Vanessa Sene Cardoso

No ano em que nosso Clube do Livro completa a primeira década, estamos vivendo dias atípicos, que parecem ter saído de um livro de ficção. Distanciamento social, um vírus que pegou a ciência e o mundo de calças curtas, colapso na economia, disputa de poderes, teorias da conspiração, enxurrada de informações, realidade virtual – de uma hora para outra fomos empurrados do ambiente físico para o digital –, as relações se tornaram mais intensas nesse período e por aí afora. Alguns desses elementos você que tem o hábito da leitura já deve ter encontrado nas páginas de um romance. Estou certa? De acordo com o escritor Oscar Wilde, “a vida imita a arte”.

O Refúgio Secreto, de Corrie Ten Boom com Elizabeth e John Sherril é o livro da vez em nosso Clube. Ele retrata a vida de Corrie, que fez parte da resistência ao nazismo, protegendo judeus; passou por mais de um campo de concentração, sofreu as agruras da prisão, mas nesse contexto teve sua fé em Deus e o senso de missão fortalecidos. Quando a II Guerra Mundial acabou, recebeu a liberdade e o restante você vai saber lendo a biografia. Ah! Uma dica: o livro não acaba na página 305. Destaque para a Linha do tempo da família ten Boom. Vale muito a pena dedicar um tempo para essa seção.

Mas o que tem a ver o momento em que vivemos (pandemia Covid-19), O Refúgio Secreto e os 10 anos do Clube do Livro? Na verdade, a relação que eu faço é que para quem gosta, a leitura é um refúgio secreto em qualquer circunstância. É aquele tempo em que você entra na sua “caixa” e se relaciona consigo, com o autor, com a história, com os personagens com a linguagem e com um universo de possibilidades. #ficaadica

E viva o nosso Clube do Livro!

quinta-feira, 30 de abril de 2020

Ruído na comunicação




Por Vanessa Sene Cardoso

Em tempos de pandemia e distanciamento físico, migramos para o ambiente digital. Privados do contato e convívio presencial, estamos interagindo muito mais pelas redes sociais, aplicativos de mensagens, do que anteriormente.

O momento de incertezas provocado pela Covid-19 favorece especulações, avaliações, reflexões sobre o cenário, tanto do ponto de vista da doença, quanto dos desdobramentos nas áreas de saúde, científica, política, econômica.

O volume de informações e conteúdos veiculados aumentou. Compartilhamos vídeos, áudios, imagens, textos o tempo todo. O desconhecido parece ter gerado uma descompensação em muita gente. Se assemelha a uma linha de produção: receber e repassar. Operários da comunicação. Essa prática se tornou quase que automática, principalmente por WhatsApp; pelo menos é o que parece. Falta filtro. Falta averiguação. Falta bom-senso. Falta ocupação. Sobra conteúdo. O fato é que o excesso de informação pode produzir ruído na comunicação.

Que tipo de ruído? Se a informação é falsa ou parcialmente verdadeira, provoca confusão e diferentes reações; compartilhar tudo que se recebe nos grupos de WhatsApp, mesmo que não se trate de Fake News, às vezes, toma tempo e atenção, além de sobrecarregar o smartphone. É lógico que o receptor tem a opção de descartar o conteúdo e, em último caso, bloquear o emissor. Mas aquela sensação de bombardeio pode causar pressão psicológica e cansaço mental em algumas pessoas.

Talvez você esteja pensando: QUE EXAGERO! Pode ser. Mas nunca é demais fazer uma autoavaliação na forma como nos relacionamos, ainda que digitalmente, com outras pessoas. Qual o parâmetro para essa comunicação? Não tenho a resposta. Mas compartilho uma dica no vídeo que ilustra este artigo.