Por Vanessa Sene Cardoso
*O texto a seguir foi escrito para o livro da Campanha de 25 Dias de Jejum
e Oração “Meus discípulos”, organizado pelo Pr. Rodolfo Montosa (1ª Igreja
Presbiteriana Independente de Londrina). Vamos imaginar o que Jesus diria a
respeito desse discípulo, tendo como base a carta do apóstolo Paulo endereçada
a Tito.
Tito era gentio e foi por meio de meu servo Paulo, de sua ousada
pregação, que ainda jovem me conheceu e teve uma experiência comigo. Eu o escolhi
desde antes da fundação do mundo para ser meu discípulo. Deleguei a Paulo, como
irmão mais experiente e maduro, a missão de
caminhar com Tito de forma que, a cada dia, me conhecesse mais. A convicção de Paulo acerca de sua própria identidade
e fé – Sejam meus imitadores, como também eu sou imitador de Cristo
– serviu de referência para o discípulo.
Por meio de suas viagens missionárias, Paulo, conhecido como apóstolo
dos gentios, propagou a minha palavra e o plano da salvação a pessoas de
diferentes nacionalidades, crenças e culturas. Muitos foram alcançados pela loucura
da pregação
e, por onde ele passava, eu formava uma igreja com os novos convertidos.
Para conseguir dar assistência a essas igrejas, Paulo teria que contar
com os discípulos que treinou, e que eram de sua inteira confiança, para encorajar,
admoestar e consolidar os ensinamentos a meu respeito e sobre o meu reino.
Tito, pela minha graça, contava com os requisitos para essa missão. Foi o meu
escolhido para ir a Creta supervisionar uma das igrejas.
O íntimo relacionamento entre mim e Tito, fez com que ele conhecesse
meu caráter, meus ensinamentos, e isso o capacitou a discernir entre a sã
doutrina e o legalismo, o engano e as práticas perniciosas dos falsos mestres
infiltrados na igreja. Um traço marcante da personalidade desse meu querido
discípulo era a habilidade nas relações interpessoais, na solução de conflitos,
sem se deixar persuadir pelos argumentos vazios e por partidarismos. Isso foi
decisivo para a missão confiada a ele.
A recomendação dada a meu discípulo foi para organizar a igreja,
começando pela liderança, que deveria estar ciente dos deveres e dos padrões de
conduta para o exercício do ministério. Sua firmeza e assertividade seriam
vitais para combater as falsas doutrinas e seus propagadores, bem como instruir
homens e mulheres crentes idosos, para que fossem exemplos para os mais jovens,
quanto ao seu papel no contexto familiar. Deveria orientar a juventude quanto
ao seu caráter que é fruto da minha graça; os servos e seus senhores a respeito
da fidelidade nas relações de trabalho; e sobre a obediência às autoridades constituídas,
como testemunho de vida.
A realidade da igreja de Creta, quando Tito foi enviado para lá, era
muito parecida com a que vivem algumas igrejas no século XXI. A verdade tem
sido relativizada e se tornado adaptável às conveniências e desejos pessoais. Por
isso, as orientações do meu discípulo são úteis e aplicáveis à minha igreja em
todos os tempos.
Tito era querido na família da fé. Prova disso, foi que Paulo, ao
encerrar sua carta, recomendou que após cumprir a missão, se apressasse em ir
ao encontro dele em Nicópolis. Testifico que Tito foi uma de minhas cartas
vivas.
Assim como você que lê esse relato pode ser também.
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