sábado, 1 de agosto de 2020

Descobrindo o universo das séries



Por Vanessa Sene Cardoso

Gosto de filmes, documentários e outras categorias de audiovisual, mas confesso que o velho e bom livro ainda está no topo da minha lista de preferências em termos de lazer. Como já mencionei em outros artigos, a leitura aguça a imaginação.

“Uma imagem vale mais do que mil palavras” é um dito popular que se aplica a muitos casos, mas ouso dizer que a recíproca é verdadeira. As palavras abrem um universo de possibilidades para a criação de imagens, ainda que no campo da mente.

Há poucas semanas comecei a assistir “Prison Break: Em Busca da Verdade”, uma série que prendeu a minha atenção. Não tenho o hábito de assistir séries, por isso fiquei pensando no que, realmente, me atraiu. A interpretação dos atores, o cenário, a fotografia... hum...acho que não. Depois de refletir, descobri que o roteiro e a história me conquistaram, ou seja, o texto, o enredo. Os demais elementos dão vida a tudo isso. As cenas curtas me dão a sensação de estar virando as páginas de um livro.

“O lado oculto”, de Nora Roberts, é a leitura da vez do nosso Clube do Livro. Terminei antes de iniciar a série Prison Break. Ao devorar as páginas foi como se estivesse assistindo a um filme. Até comentei com minhas amigas. Senti uma vontade de ver a história adaptada para as telas.

Observar as coisas por outro ângulo é sempre produtivo, descobrir possibilidades, ir além do que já faz parte do nosso universo particular. Deixo meu desafio para quem não tem o hábito de leitura a se arriscar no mundo das letras. Elas têm muito a revelar e estimular o mundo da imaginação.

Meninas do Clube do Livro, se tiver o filme de “O lado oculto”, topam assistir?! 

#10anosClubedoLivro


sexta-feira, 31 de julho de 2020

Azul e branco



Por Vanessa Sene Cardoso

Tenho o hábito de ler a coluna Aos Domingos Pellegrini nas edições de fim de semana da Folha de Londrina. O texto de 20/21 de junho deste ano teve como título “A turma do azul e branco”. Chamou a minha atenção a aplicação feita pelo autor, de que há um grupo cuja bandeira não é vermelha e, por outro lado, não se identifica com alguns movimentos que têm se apropriado das cores verde e amarela, do principal símbolo brasileiro, para expressar uma linha ideológica. A proposta do meu artigo não é enviesar a reflexão, se é que isso é possível.

Em tempos de polarização, a “turma do azul e branco” pode acabar sendo rotulada, pelos mais inflamados, de a “turma em cima do muro”. E, na verdade, é sobre essa classificação que eu quero falar hoje.

O que é “ficar em cima do muro”? Essa definição no atual contexto político, social, cultural talvez seja não escolher um dos lados considerados preponderantes nessas diversas áreas, ou ser omisso, não ter opinião, e por aí afora. Ter um posicionamento não significa escolher um dos lados que predominam, principalmente, no cenário virtual. Digo isso, porque é nesse ambiente onde a rivalidade tem sido exposta e amplificada nos últimos tempos.

Defender um ponto de vista com fervor, principalmente se há argumentos consistentes, é uma virtude; o problema é quando se atravessa o muro na tentativa de impedir o outro lado de exercer o mesmo direito. Extrapolar o campo das ideias e invadir o terreno pessoal é perigoso. Talvez seja este equilíbrio que esteja em falta no atual momento. Nesse caso, o “muro” pode ser o elemento que limita o espaço de cada um. Aqui temos um novo ângulo: muro X polarização. Veja que, dependendo da perspectiva, as duas faces (polarização de ideias) podem ser partes de uma mesma moeda.

Nossos valores e princípios são a referência para assumirmos nosso posicionamento diante das circunstâncias. Penso que, independentemente da corrente ideológica, o respeito é o muro que limita o espaço de cada um.

Meu filho, guarde consigo a sensatez e o equilíbrio, nunca os perca de vista; trarão vida a você e serão um enfeite para o seu pescoço. Então você seguirá o seu caminho em segurança e não tropeçará; quando se deitar, não terá medo, e o seu sono será tranquilo. Não terá medo da calamidade repentina nem da ruína que atinge os ímpios, pois o SENHOR será a sua segurança e o impedirá de cair em armadilha. Quanto for possível, não deixe de fazer o bem a quem dele precisa (Provérbios 3.21-27 – NVI).

Para ler o artigo “A turma do azul e branco”, de Domingos Pellegrini, acesse aqui.


quinta-feira, 25 de junho de 2020

O quê? Quem? Quando? Onde? Como? Por quê?


Por Vanessa Sene Cardoso

Se você encontrar a resposta para essas seis perguntinhas, já tem, praticamente, um texto pronto. O restante são detalhes e informações complementares para enriquecer, dar consistência e beleza ao texto.

Escrever nem sempre é tarefa fácil, pois é necessário ter base, conteúdo confiável,  argumentação coerente, conhecimento da língua, clareza na escrita. Quero destacar a importância do uso correto da pontuação, pois uma “vírgula” no lugar errado muda o sentido da frase e pode provocar danos incalculáveis e ruído na comunicação.

Creio que escrever bem é um dom, uma habilidade; mas se você não foi agraciado com esse talento natural, não desanime! É possível desenvolvê-lo. O hábito da leitura e a prática de escrever são o caminho. Veja bem:  eu disse “o caminho” e não “os caminhos”, pois essa combinação é essencial para elaborar um bom texto.

Amo ler e escrever. E quero compartilhar uma dica de leitura para você que, como eu, tem a escrita como uma prática cotidiana: “A arte de escrever bem – um guia para jornalistas e profissionais do texto”, de Dad Squarisi e Arlete Salvador. O livro traz informações relevantes, numa linguagem simples e leve, com exemplos que reforçam os conceitos técnicos. Boa leitura!




sábado, 13 de junho de 2020

Refúgio secreto






Por Vanessa Sene Cardoso

No ano em que nosso Clube do Livro completa a primeira década, estamos vivendo dias atípicos, que parecem ter saído de um livro de ficção. Distanciamento social, um vírus que pegou a ciência e o mundo de calças curtas, colapso na economia, disputa de poderes, teorias da conspiração, enxurrada de informações, realidade virtual – de uma hora para outra fomos empurrados do ambiente físico para o digital –, as relações se tornaram mais intensas nesse período e por aí afora. Alguns desses elementos você que tem o hábito da leitura já deve ter encontrado nas páginas de um romance. Estou certa? De acordo com o escritor Oscar Wilde, “a vida imita a arte”.

O Refúgio Secreto, de Corrie Ten Boom com Elizabeth e John Sherril é o livro da vez em nosso Clube. Ele retrata a vida de Corrie, que fez parte da resistência ao nazismo, protegendo judeus; passou por mais de um campo de concentração, sofreu as agruras da prisão, mas nesse contexto teve sua fé em Deus e o senso de missão fortalecidos. Quando a II Guerra Mundial acabou, recebeu a liberdade e o restante você vai saber lendo a biografia. Ah! Uma dica: o livro não acaba na página 305. Destaque para a Linha do tempo da família ten Boom. Vale muito a pena dedicar um tempo para essa seção.

Mas o que tem a ver o momento em que vivemos (pandemia Covid-19), O Refúgio Secreto e os 10 anos do Clube do Livro? Na verdade, a relação que eu faço é que para quem gosta, a leitura é um refúgio secreto em qualquer circunstância. É aquele tempo em que você entra na sua “caixa” e se relaciona consigo, com o autor, com a história, com os personagens com a linguagem e com um universo de possibilidades. #ficaadica

E viva o nosso Clube do Livro!

quinta-feira, 30 de abril de 2020

Ruído na comunicação




Por Vanessa Sene Cardoso

Em tempos de pandemia e distanciamento físico, migramos para o ambiente digital. Privados do contato e convívio presencial, estamos interagindo muito mais pelas redes sociais, aplicativos de mensagens, do que anteriormente.

O momento de incertezas provocado pela Covid-19 favorece especulações, avaliações, reflexões sobre o cenário, tanto do ponto de vista da doença, quanto dos desdobramentos nas áreas de saúde, científica, política, econômica.

O volume de informações e conteúdos veiculados aumentou. Compartilhamos vídeos, áudios, imagens, textos o tempo todo. O desconhecido parece ter gerado uma descompensação em muita gente. Se assemelha a uma linha de produção: receber e repassar. Operários da comunicação. Essa prática se tornou quase que automática, principalmente por WhatsApp; pelo menos é o que parece. Falta filtro. Falta averiguação. Falta bom-senso. Falta ocupação. Sobra conteúdo. O fato é que o excesso de informação pode produzir ruído na comunicação.

Que tipo de ruído? Se a informação é falsa ou parcialmente verdadeira, provoca confusão e diferentes reações; compartilhar tudo que se recebe nos grupos de WhatsApp, mesmo que não se trate de Fake News, às vezes, toma tempo e atenção, além de sobrecarregar o smartphone. É lógico que o receptor tem a opção de descartar o conteúdo e, em último caso, bloquear o emissor. Mas aquela sensação de bombardeio pode causar pressão psicológica e cansaço mental em algumas pessoas.

Talvez você esteja pensando: QUE EXAGERO! Pode ser. Mas nunca é demais fazer uma autoavaliação na forma como nos relacionamos, ainda que digitalmente, com outras pessoas. Qual o parâmetro para essa comunicação? Não tenho a resposta. Mas compartilho uma dica no vídeo que ilustra este artigo.

sábado, 4 de abril de 2020

A mulher na janela





Por Vanessa Sene Cardoso

Começo o texto pedindo permissão para dar um spoiler. Fique tranquilo! Na verdade, será um meio spoiler. “A mulher na janela” que identifica esse artigo é o título de um livro de ficção escrito pelo autor americano A. J. Finn. Ele conta a história de uma mulher que após uma experiência traumática desenvolve uma síndrome que a impede de sair de casa.

Anna mora sozinha e seu contato com o mundo externo passa a ser através da janela. Ela costuma acompanhar o que se passa do lado de fora observando os vizinhos; e onde o olhar não alcança, recorre à lente de uma câmera fotográfica para aproximar a realidade das famílias do bairro e entrar na vida delas. A protagonista busca a intimidade dos outros para fugir de si mesma, dos seus fantasmas. Vou parando por aqui. Espero ter despertado a sua curiosidade. Indico a leitura.

Esse foi o título escolhido para o nosso Clube do Livro há mais de dois meses. Quem poderia imaginar que, como disse uma amiga, o título seria profético... rs. Pois é! Estamos todas, por força das circunstâncias (pandemia Covid-19), reclusas entre quatro paredes. Nossa reunião hoje é em ambiente virtual. Da ficção para a realidade.

Vamos conversar sobre a história, trocar impressões, experiências a partir de um mesmo ponto de partida,  apresentando nossas observações, diferentes considerações sobre o assunto, e, principalmente, vamos bater papo despretensiosamente. Longe, mas perto.

Hoje somos as mulheres nas janelas... virtuais, é bom frisar. E viva os 10 anos do Clube do Livro!



sexta-feira, 3 de abril de 2020

No cantinho pra pensar



Por Vanessa Sene Cardoso

 “Agora você vai ficar ali no cantinho pra pensar”. Quem já recebeu essa ordem? Ela é ou, pelo menos, era comum na escola, em casa quando na infância fazíamos alguma “arte”, desobedecíamos, desrespeitávamos pai, mãe, ou outra figura que representava autoridade.

Como as crianças – boa parte delas – depois de algum tempo paradas começam a ficar inquietas, “o cantinho do pensamento” acaba sendo uma forma de disciplina, embora para algumas seja apenas um castigo mesmo. Tudo depende do ponto de vista, de como a experiência é assimilada.

Nos últimos dias, o cenário mundial, em decorrência da Covid-19, tem proporcionado o ambiente ideal para reflexão. A prática do distanciamento social colocou grande parte da aldeia global no cantinho do pensamento. Quando poderíamos imaginar que um inimigo invisível aprisionaria milhões de pessoas dentro de casa?! Sem trancas, sem algemas, no entanto, impedidas de ir e vir.

Nenhum arsenal bélico, nem tecnologias de ponta até agora foram capazes de vencer essa guerra. Creio que estamos no caminho, vai ter um fim, mas enquanto isso...

O mundo parou. Silêncio. Uma oportunidade para rever as prioridades. Nos dias de hoje somos consumidos pela correria cotidiana, pelas demandas da vida pós-moderna, pela velocidade das informações, pela dependência do ambiente virtual. Temos tantas ferramentas em mãos, que é muito fácil nos acharmos superpoderosos. De repente, em questão de semanas, fomos surpreendidos por uma circunstância que nos tirou o controle da situação, ou melhor, a enganosa sensação de controle.

Muitos de nós estamos tendo que enfrentar a nós mesmos, lidar com os relacionamentos, olhar com mais atenção para quem está próximo. Como vamos encarar esse momento? Talvez para você esteja tudo normal. Mesmo assim, vale a pena o exercício da reflexão. Como temos conduzido nossa vida? O que está legal e o que precisa de um novo rumo? Quais são nossos sonhos? Vamos aproveitar essa chance em que nos vemos obrigados, de certa forma, a dar uma pausa na rotina acelerada, e pensar, planejar, colocar ordem no mundo interior, ou relaxar mesmo. Há quanto tempo você não fica sem fazer nada?

Se no dia a dia nos dividimos entre os mundos real e virtual. Agora a balança está pendendo mais para o segundo. Estamos operando no ambiente e no modo digital. A conexão diminui as distâncias e facilita a comunicação. Realmente, o mundo parece uma aldeia em que os povos, independentemente de suas peculiaridades, vivem a mesma experiência. Sendo assim, podemos nos sentir no mesmo barco, ótima oportunidade para o exercício da solidariedade e da empatia.

Diante de tudo isso é reconfortante saber que: Os olhos do SENHOR estão em todo lugar (Provérbios 15.3). É ele quem faz mudar os tempos e as estações; é ele quem põe os reis no poder e os derruba; é ele quem dá sabedoria aos sábios e inteligência aos inteligentes (Daniel 2.21-23 – NTLH). Deus tem tudo debaixo de suas mãos e do seu controle. Ele é quem coloca ordem no caos, conforme os seus propósitos.

É tempo de recolhimento. Mas logo estaremos liberados do cantinho do pensamento.