sábado, 9 de fevereiro de 2019

Paixão pela leitura




Por Vanessa Sene Cardoso

Ler é uma das minhas grandes paixões. Já me perguntaram o tipo de leitura que eu mais gosto. Ao longo dos anos, li vários estilos e autores.  Mesmo na era digital, aprecio revistas e jornais impressos também. Mas depois de refletir, cheguei à conclusão que, simplesmente, gosto de ler. O ato da leitura é prazeroso para mim, independentemente, do formato e do gênero literário.

Além do conteúdo, gosto de observar a estrutura do texto, perceber as emoções, e o que mais o autor, por meio da linguagem e das palavras, quis transmitir ao leitor.  Para mim, o livro é vivo, não se trata apenas de um recipiente de arquivar palavras estruturadas em  texto. É mais, muito mais...

Abrir um livro é entrar por uma porta que leva a um mundo novo, cheio de descobertas, onde são ativados a curiosidade, a crítica, a empatia, os sentidos, diversas emoções, até mesmo a indiferença e o tédio.

Quem é apaixonado pela leitura sabe do que estou falando. E quando a gente gosta muito de algo, isso acaba nos atraindo a outras pessoas que compartilham do mesmo interesse. Foi o que aconteceu em 2010, quando formamos o nosso Clube do Livro. Atualmente somos em seis mulheres. O nosso clube funciona assim: todas as integrantes sugerem livros, montamos uma lista para o ano; lemos o mesmo título ao mesmo tempo. Nos reunimos a cada dois meses para um bate-papo sobre o livro e outros assuntos.

Nosso Clube do Livro está entrando no décimo ano. Tem sido uma ótima experiência! Fica a dica para você que aprecia a leitura. Que tal reunir um grupo para compartilhar essa paixão?!


segunda-feira, 31 de dezembro de 2018

Eternamente feliz




Por Vanessa Sene Cardoso

Feliz 2018. Não, eu não me enganei. No fim de 2017, recebi felicitações de Ano Novo de muitas pessoas. E esse, realmente, foi um ano feliz. Na verdade, ao longo da vida e da caminhada com Cristo, descobri que não existe ano infeliz. Posso me sentir alegre, triste, com raiva, passar por dificuldades e ainda assim ser feliz. A felicidade não é determinada por bens, relacionamentos, saúde, sentimentos, sabedoria, realizações. Tudo isso é muito bom, mas há quem tenha todas essas coisas sem ser feliz.

Para mim, a felicidade está em ser filha amada de Deus, em pertencer a ele, em ter um propósito de vida em Cristo, e saber que o meu passado, presente e futuro estão escritos e guardados pelo meu Pai: Os dias que me deste para viver foram todos escritos no teu livro quando ainda nenhum deles existia (Salmos 139.16 – NTLH – Ler Apocalipse 5.1-6). Lógico que há muitas coisas que nos alegram o coração, e devemos desejá-las. Só não podemos depender delas para sermos felizes.

Alguns motivos que confirmam a felicidade:


Porque Deus amou o mundo tanto, que deu o seu único Filho, para que todo aquele que nele crer não morra, mas tenha a vida eterna    (João 3.16 – NTLH).

Quem está unido com Cristo é uma nova pessoa; acabou-se o que era velho, e já chegou o que é novo (2 Coríntios 5.19 - NTLH).

Tu me mostras o caminho que leva à vida. A tua presença me enche de alegria e me traz felicidade para sempre (Salmos 16.11 – NTLH).

Deus faz que o solitário viva em família (Salmos 68.6).

Oh! Provai e vede que o SENHOR é bom; bem-aventurado o homem que nele se refugia (Salmos 34.8).

A paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará os seus corações e as suas mentes em Cristo Jesus (Filipenses 4.7 - NVI).

E lembrem disto: eu estou com vocês todos os dias, até o fim dos tempos (Mateus 28.20 – NTLH).

Essa lista não tem fim, porque a vida não tem fim. Ela é eterna assim como o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Esta é a vida eterna: que te conheçam, o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste (João 17.3 – NVI). Essa jornada feliz, para mim, já começou quando recebi a vida de Cristo e me tornei filha de Deus. Convido você para vir comigo e com todos os meus irmãos e irmãs da família da fé. Seja eternamente feliz!

Porque dele e por ele, e para ele, são todas as coisas; glória, pois, a ele eternamente. Amém (Romanos 11.36).

Feliz 2019!

segunda-feira, 10 de dezembro de 2018

À procura de...




Por Vanessa Sene Cardoso

Você tem algum objeto de estimação? Algo que gosta muito e que, mesmo que não tenha valor material, é precioso para você? Pois bem, eu tenho alguns objetos que são significativos porque me lembram de pessoas, de lugares e outros, simplesmente, porque eu gosto sem motivo algum. Vou falar sobre um deles. É uma presilhinha muito pequena, alguns conhecem como piranha (veja a foto no fim do texto). 

Durante uma época, sempre que chegava em casa, usava para prender minha franja. Era um hábito. Eu tenho outras semelhantes, mas, em casa, aquela era a minha escolhida. Acho que, subconscientemente, associava ao conforto do lar. Ao guardá-la em algum lugar que não era de costume, podia até esquecer onde estava, mas logo dava um estalo na mente. Nunca havia perdido.

Certa vez, fui pegar a presilha e não estava no recipiente onde eu guardava. Procurei em vários lugares, sem sucesso. Pensei: “Devo ter colocado no bolso da calça, o que fazia de vez em quando, e na hora de lavar deve ter caído... Enfim, também não é para tanto, tenho outras presilhas, deixa pra lá”. Mas confesso que fiquei chateada.

Passados alguns dias – já tinha dado como perdida a presilha – quando limpava a casa, fui passar pano no chão da área de serviço e, num cantinho, um pequeno objeto preto atraiu meu olhar. Me aproximei para ver melhor. Não consegui conter as lágrimas... Você pode estar pensando: “Quanto drama! Há tanto motivo relevante para chorar!”

A presilha não foi o motivo das minhas lágrimas. Quando vi aquele insignificante objeto no chão, que já não imaginava encontrar mais, Deus me disse: “Eu cuido de você nos mínimos detalhes”. Ele usou uma situação cotidiana, até mesmo sem muita importância, para demonstrar mais uma vez o seu amor por mim. O foco não era a presilha, mas o cuidado do meu Pai. Foi uma experiência muito legal! Daquelas que um relacionamento íntimo proporciona. Uau!

Lembrei-me de uma parábola contada por Jesus (Lucas 15. 8-10 – NTLH):
— Se uma mulher que tem dez moedas de prata perder uma, vai procurá-la, não é? Ela acende uma lamparina, varre a casa e procura com muito cuidado até achá-la. E, quando a encontra, convida as amigas e vizinhas e diz: “Alegrem-se comigo porque achei a minha moeda perdida.”

A moeda mencionada por Jesus somos nós quando estamos separados do nosso Criador. No versículo 10, lemos que há alegria quando aquele que está perdido se volta para Deus. O Natal se aproxima. Jesus veio ao mundo com o propósito de nos encontrar, de dar vida aos que estão mortos. Por meio dele somos religados ao Pai. E, consequentemente, temos a vida eterna com Deus.

O relacionamento com Deus, nosso Pai, é o bem mais precioso que podemos ter. A partir disso, temos uma nova perspectiva sobre o valor da nossa própria vida, das pessoas que nos cercam.

Talvez você esteja à procura de algo que preencha o seu vazio existencial. Quem sabe não tenha chegado o momento de deixar-se encontrar?! Experimente!!




domingo, 21 de outubro de 2018

Tia do cafezinho = proatividade




Por Vanessa Sene Cardoso

Convido você a exercitar sua memória ou imaginação! Pense em uma personagem popular que está sempre presente e tem livre trânsito em diferentes locais, como ambientes comerciais, repartições públicas, residências e outros. Estou falando da “tia do cafezinho”. Quem se lembra ou poderia contar alguma história em que ela seja protagonista ou coadjuvante?

Eu tenho! Vamos lá!

– Preciso entregar um convite em mãos – diz minha amiga a uma funcionária que encontrou no corredor do órgão público.  

Era fim da manhã. Muitos servidores já estavam em horário de almoço, inclusive o chefe da repartição, que era o destinatário da correspondência.

Minha amiga não poderia ficar esperando. O que fazer? Eis que a funcionária se dirige a ela:
– Acho que a Lourdes pode ajudar. Venha comigo!

As duas seguiram à procura de quem teria condições de dar um jeito na situação naquele momento. Alguns minutos depois, encontrou sua provável emissária:
– Fique tranquila, vou colocar o convite em cima da mesa dele.

Duas semanas depois...

Chegou o dia do evento. Eu estava recebendo os convidados e um homem se dirigiu a mim, apresentou-se. Na hora me lembrei da Lourdes. Já entenderam de quem se tratava, não é? Pensei: Quanta eficiência e proatividade! Afinal, ela trabalhava na copa e zeladoria e não fazia parte das suas atribuições entregar correspondência.

Um amigo meu, também jornalista, na empresa em que trabalhou por muitos anos, fazia parte da editoria política, sendo responsável pela cobertura da prefeitura e câmara de vereadores da cidade onde morava. Por ser uma pessoa muito relacional, sempre teve facilidade em puxar conversa, fazer amizades e obter informações relevantes. Muitas vezes, a “tia do cafezinho” era uma de suas principais fontes, pois ela tinha trânsito livre nos gabinetes. E como, em alguns casos, por sua discrição, era sequer notada, acabava ouvindo assuntos tratados em encontros a portas fechadas, afinal reunião sem café não é reunião.  

Uma ressalva: Minha intenção neste artigo não é entrar na questão ética da funcionária pública e do jornalista. Mas, sim, fazer um contraponto sobre “cumprir o protocolo” e “agir com iniciativa”. Nessa reflexão me refiro à “tia do cafezinho” como símbolo de eficiência e proatividade.

Quando cumprimos nossas tarefas a contento somos eficientes, pois eficiência é fazer certo as coisas. A questão é que, muitas vezes, paramos aí. O episódio que compartilhei no início do texto não traz nada de extraordinário. A personagem viu a necessidade da minha amiga e buscou uma solução. Simples assim!

É preciso olhar fora do quadrado! Estar sensível às necessidades de quem está perto. Olhar para o bem-estar geral é uma atitude que faz toda a diferença. Ações simples podem se tornar relevantes no contexto em que estamos inseridos, facilitando a comunicação, melhorando a execução de tarefas do dia a dia, remindo o tempo e deixando o ambiente mais aconchegante.

Dedico esse texto a essa profissional que é conhecida carinhosamente como a “tia do cafezinho”.

sábado, 28 de julho de 2018

Amor por Londrina



Por Vanessa Sene Cardoso
Fui fotografada por meu irmão Eduardo Sene Cardoso

Aos cinco anos deixei minha terra natal, Cornélio Procópio, no Paraná. Devido ao trabalho do meu pai, durante a minha infância, nossa família morou em quatro cidades. Todas têm um significado especial, fazem parte da minha história e deixaram lembranças marcantes para o resto da vida.

A cada mudança, como é natural, passava pelo período de adaptação, e as cidades onde morei, embora todas no Brasil, tinham costumes e culturas muito diferentes. Na escola, eu era quase sempre a novata da turma; os colegas de classe, na sua maioria, já se conheciam, tinham laços entre si, pois tinham passado a vida toda na mesma cidade. Depois de um tempo, quando já estava adaptada e tinha construído amizades, era surpreendida pela notícia: vamos mudar.

Nessa primeira fase de vida, um dos meus sonhos era criar raízes em uma cidade, sentir que pertencia àquele lugar. Deus conhecia o desejo do meu coração. E ele é poderoso para fazer infinitamente mais do que tudo quanto pedimos ou pensamos (Efésios 3.20), segundo a sua vontade, é claro! Pois tem o melhor para seus filhos e filhas. Não sabíamos, mas isso estava nos planos de Deus para nossa família...

No dia 28 de julho de 1988 mal sabia que essa data marcava o início da concretização do meu sonho de infância nos mudamos para Londrina. Já era adolescente. Desde o primeiro momento senti como se estivesse voltando para casa. Eita cidade acolhedora! Conheço muitas pessoas que vieram para cursar a universidade e acabaram ficando por aqui. Na maioria das vezes, o discurso é uníssono: “me considero cidadão londrinense”. Faço parte dessa turma!

Sou londrinense de coração! Já passei bem mais da metade da minha vida nessa terra roxa, vermelha... colorida. É isso! Londrina é uma cidade de contrastes, começando pelas cores. Quem já observou o céu no fim de tarde sabe do que estou falando: o matiz é fantástico! A paisagem é linda. O lago Igapó, ainda que artificial, cortando nossa “pequena metrópole”, traz vida em meio à “selva de pedra”. O cenário rural, o café, as perobas majestosas, a vegetação, os ipês e manacás que vestem as ruas por onde passamos apressadamente, nosso clima, manifestações e produções artísticas... Temos aqui também um caldeirão cultural. Pioneiros de diferentes nacionalidades vieram para construir um local para viver. Somos herdeiros dessa diversidade que faz de Londrina uma cidade aberta e receptiva aos “estrangeiros” e “peregrinos”.

A pequena Londres cresceu rápido, é um polo no norte do Paraná, mas não perdeu as características de uma cidade interiorana. As pessoas se conhecem, se encontram no mercado, no shopping, no calçadão, no Zerão, no cinema, na feira da Lua, nas praças...

Aqui ganhei muitos amigos! Tesouro inestimável e inesgotável!

Poderia escrever páginas e páginas sobre essa cidade, mas sou suspeita para falar. Talvez para alguns essas palavras não correspondam à realidade. Pode parecer exagero! Não importa, neste momento a emoção é a razão da minha expressão.

Embora as palavras sejam recursos eficientes para expressar o que sentimos e pensamos, muitas vezes não conseguem fazê-lo. Termino esse texto com os olhos marejados, a voz embargada, e o coração cheio de contentamento e gratidão a Deus por essas três décadas vivendo aqui. Sou pé-vermelho!

Essa é minha declaração de amor por Londrina!











sábado, 7 de julho de 2018

Vida e Morte: qual o significado?




Por Vanessa Sene Cardoso

O que mais tem valor para você? Vamos lá! Como é algo para meditar, seja sincero consigo mesmo, pois ninguém vai saber o que se passa no seu íntimo, apenas Deus, que já sabe, mesmo que insista em não falar para ele. Algumas possibilidades para estimular a sua reflexão: seus filhos, filhas, esposo, esposa, outras pessoas que você ama; seus bens materiais; seu conhecimento intelectual; situações e atividades que lhe proporcionam prazer... Sinta-se à vontade para acrescentar algo pessoal nessa lista. Identificou o que tem valor? Pois bem, se você não estiver vivo, tudo isso perde o valor, certo? Acho que chegamos a um ponto de convergência de que se não houver vida, as demais coisas perdem o sentido.

Creio que a vida é o maior valor para o ser humano. Fazemos de tudo - às vezes não da melhor maneira - para preservá-la. Mas você pode estar se perguntando: E as pessoas enfermas que estão sofrendo e preferem a morte? E aqueles que pensam em tirar a vida? Válida reflexão! A vida humana é criação de Deus e uma dádiva, mas quando o homem pecou houve a separação do Pai, o Eterno, e a morte entrou no mundo, ou seja, o ser humano passou a ser um “morto-vivo” (Gênesis 2.17). O texto de Gênesis 3 nos mostra que o homem trocou a árvore da vida (Cristo) pela árvore do conhecimento do bem e do mal (morte, separação).

A vida sem Deus é incompleta, é uma ilusão, é morte. Se você percebeu que está morto, ou sente-se morto, não desanime! Vamos reavivar nossa memória?! Deus, que é um Pai amoroso, planejou uma solução para nossa condição humana: a morte e a ressurreição de seu Filho Jesus Cristo. Jesus se tornou pecado em nosso lugar, e ressuscitou para que, por meio dele, fôssemos reconciliados com Deus passando a ter vida verdadeira e eterna. E o testemunho é este: que Deus nos deu a vida eterna; e esta vida está no seu Filho. Aquele que tem o Filho tem a vida; aquele que não tem o Filho de Deus não tem a vida (1 João 5.11-12). Essa afirmação deixa claro que a vida não é um estado e sim uma pessoa, Jesus Cristo.

Talvez, assim como Nicodemos, que era um mestre e conhecedor das Escrituras, você se pergunte: Como receber a Vida? Jesus responde dizendo que é necessário nascer de novo. Nicodemos perguntou: - Como é que um homem velho pode nascer de novo? Será que ele pode voltar para a barriga da sua mãe e nascer outra vez? Jesus disse a ele: – Quem nasce de pais humanos é um ser de natureza humana; quem nasce do Espírito é um ser de natureza espiritual (João 3.4, 6 - NTLH). É preciso nascer do Espírito para ter a vida eterna. O apóstolo Paulo em Romanos 10.9-10 nos orienta como devemos proceder: Se, com a tua boca, confessares Jesus como Senhor e, em teu coração, creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo. Porque com o coração se crê para a justiça e com a boca se confessa a respeito da salvação. Quando recebemos a vida de Cristo, nos tornamos filhos de Deus e temos uma nova natureza, o mesmo DNA de Jesus, ele está em nós e nos tornamos um com o Pai, o Filho e o Espírito Santo (João 17.21).

Em João 11.25 Jesus se identifica como “A ressurreição e a vida”: Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, ainda que morra viverá. Esse nome reflete a sua essência. Se estamos em Cristo também temos a verdadeira vida. A morte foi derrotada de uma vez por todas, ela não nos assombra mais, seu sentido passa a ser outro, assim como a vida ganha novo significado para nós. E podemos fazer coro com o apóstolo Paulo: Para mim, o viver é Cristo, e o morrer é lucro (Filipenses 1.21).


Para refletir:

Deus escolheu enviar Jesus ao mundo para nos dar vida verdadeira e eterna. A iniciativa foi dele e não nossa. Você já recebeu ou quer receber a vida de Cristo em você?

E, se o Espírito daquele que ressuscitou Jesus dentre os mortos habita em vocês, aquele que ressuscitou a Cristo dentre os mortos também dará vida a seus corpos mortais, por meio do seu Espírito, que habita em vocês (Romanos 8.11 – NVI).

quinta-feira, 31 de maio de 2018

Tem boi na linha



Por Vanessa Sene Cardoso 

Dias atrás, combinei com uma amiga de visitar uma feira de produtos orgânicos. O que seria algo simples e corriqueiro, para nós se tornou uma aventura. Vamos comigo!

Outra amiga – vou chamá-la de Renata – que já havia ido à feira me explicou como chegar lá. “Que fácil”, pensei. Não vai ter erro. É só passar em frente à casa dela; no fim da rua virar à esquerda; nesse ponto há três entradas, mas devo seguir na do meio, e pronto; passando um condomínio residencial já estaria no meu destino. Mal sabia o que me aguardava.

Depois de me dizer como chegar à feira, Renata fez uma observação com bastante ênfase:
– Quando estiver chegando, você vai ter que prestar MUITA ATENÇÃO, pois o lugar é meio ESCURO, e não tem identificação. Pode acabar passando batido.

Munida dessas informações e com o auxílio de uma “copiloto” eficientíssima, #partiufeira. Minha amiga e eu fomos conversando numa boa, passamos pelos pontos de referência que Renata havia nos dado. Percorremos toda a extensão do muro que cercava o condomínio e... nada.

Eu disse para minha “copiloto”:
– Acho que entendi errado. Vamos voltar no entroncamento e tentar as outras duas entradas. O que acha?

Tentativas frustradas. Era noite e não encontramos ninguém pelo caminho que pudesse nos orientar. Você pode estar se perguntando: Por que não usou GPS? A bateria do celular estava por um fio. Que mancada, né?! Antes de descarregar completamente, consegui ligar para Renata.
– Seguimos as suas orientações e não encontramos a feira – eu disse.

Renata repetiu a explicação. Fiquei intrigada: Onde ficaria a tal feira? Lá fomos nós novamente! Enquanto eu dirigia, minha amiga olhava através da janela do carro procurando um ajuntamento de barraquinhas em cada viela pela qual passávamos. Já estávamos saindo do bairro, chegando a um lugar ermo. Minha amiga e “copiloto”, quase com o pescoço deslocado de tanto olhar para fora, cogitou:
– Pode ser que hoje, excepcionalmente, a feira não esteja funcionando.

Ligamos para Renata mais uma vez, e ela se dispôs a nos acompanhar para mostrar o caminho. Voltamos ao ponto de partida, encontramos nossa amiga que, prontamente, tomou a dianteira. Seguimos o carro dela.  O trajeto que tínhamos feito estava certo. De repente, Renata acionou a seta para a esquerda. Comentei com minha amiga:
– Não acredito que ela vai entrar onde estou pensando.

Do lado esquerdo da pista havia uma galeria de lojas muito bem iluminadas, estacionamento na frente, quase um mini Shopping Center. Nas nossas idas e vindas à procura da feira orgânica passamos, pelo menos quatro vezes, em frente ao prédio. Com base na descrição de nossa amiga Renata, jamais imaginamos que pudesse ser naquela galeria a tal feirinha orgânica. Afinal de contas, se tinha algum lugar naquela região que não passaria despercebido era ali. Parecia um enorme painel de neon em meio à escuridão!

O “ocorrido” rendeu boas risadas, comentários carregados de bom humor, reflexão, e esta crônica. Ficou evidente que, mesmo tendo ferramentas e linguagem para uma comunicação eficiente, estamos sujeitos a encarar um “boi na linha”.

Há um conceito muito repetido quando se fala sobre comunicação: “Comunicação não é o que você fala, mas o que o outro entende”. Renata achou que foi clara, e eu estava certa que havia entendido. A explicação da rota foi simples. Não teve erro. O ruído na nossa comunicação se deu na descrição do local. Em nenhum momento ela mencionou barracas; essa foi uma dedução a que minha amiga e eu chegamos. Quem disse que toda feira tem barracas?! Todos nós partimos de nossos referenciais. O que Renata queria dizer é que a sala onde estava instalada a feira não tinha identificação. Talvez se tivesse falado que ficava em uma galeria teria sido o suficiente. Ela, no entanto, deu alguns detalhes na intenção de facilitar a identificação, com base em sua experiência quando esteve a primeira vez no local.

Não estamos livres de nos depararmos com “bois na linha” - são até muito comuns ruídos na comunicação - mas podemos fazer das situações que passamos uma “lousa”. A lição que ficou desse episódio foi que a objetividade e a prática de fazer perguntas, investigar são ótimos recursos para uma comunicação eficaz.

Ah! Em um caso como esse, ter um GPS e o celular carregado à mão também ajuda.